
Um guindaste içando um contêiner na Estação Port Reitz, na Ferrovia de Bitola Padrão (SGR, na sigla em inglês) Mombasa-Nairóbi, em Mombasa, Quênia, em 9 de julho de 2026. (Xinhua/Xie Jianfei)
A África deve fortalecer a cooperação estratégica, especialmente com países como a China, para destravar investimentos em infraestrutura, tecnologia digital e acesso a novos mercados, observaram analistas.
Nairóbi, 8 set (Xinhua) -- A África deve fortalecer a cooperação estratégica, especialmente com países como a China, para destravar investimentos em infraestrutura, tecnologia digital e acesso a novos mercados, observaram analistas.
Onyango K'Onyango, especialista queniano em relações China-África, ressaltou que o continente necessita urgentemente de investimentos em larga escala em redes de transporte, sistemas de energia, tecnologia digital, manufatura e capital humano.
"Essas necessidades não podem ser supridas apenas com recursos internos. A África, portanto, precisa de parcerias internacionais que forneçam capital, tecnologia, mercados e experiência, ao mesmo tempo em que apoiam suas próprias prioridades de desenvolvimento", observou ele.
K'Onyango argumentou que a abordagem pragmática da China impulsiona uma cooperação econômica significativa na África, observando que os projetos de infraestrutura financiados pela nação asiática impulsionaram a conectividade regional e expandiram as oportunidades comerciais em todo o continente.
"Ferrovias, rodovias, portos e instalações de energia não são apenas estruturas físicas; eles estão reduzindo o custo de transporte de mercadorias, conectando produtores a mercados e fortalecendo a integração econômica regional", disse ele.
K'Onyango destacou o papel da China como importante polo manufatureiro e grande mercado, oferecendo à África oportunidades fundamentais para diversificar exportações, atrair investimentos geradores de empregos e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas.
Lee Kinyanjui, secretário de gabinete para investimentos, comércio e indústria, observou que a política de tarifa zero da China abrirá um vasto potencial para os exportadores quenianos, particularmente na agricultura, e ajudará a diversificar a pauta de exportações.

Uma mulher seleciona abacates em sua fazenda no distrito de Nakuru, Quênia, em 16 de junho de 2026. (Foto de Sheikh Maina/Xinhua)
Kinyanjui disse recentemente que a rápida industrialização, o crescimento da infraestrutura e os avanços tecnológicos da China oferecem lições valiosas que os países africanos podem adaptar às suas realidades locais.
O especialista em relações internacionais Macharia Munene observou, em um comentário recente, que a África deve priorizar o comércio equitativo, a transferência de tecnologia e o desenvolvimento da capacidade industrial local.
Destacando essa tendência, o especialista queniano disse que pelo menos 10 países africanos aderiram à iniciativa durante a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO, na sigla em inglês), em Shanghai, no mês de julho.
"A WAICO preenche uma lacuna importante ao priorizar as necessidades do Sul Global, incluindo desenvolvimento, capacitação e acesso equitativo, em detrimento de modelos restritivos promovidos por outras economias", disse o especialista em relações internacionais Cavince Adhere em um artigo para o jornal queniano Daily Nation.
"A China é hoje uma das maiores fontes de investimento estrangeiro direto na África. As empresas chinesas que operam no continente contribuíram com cerca de 20% para o desenvolvimento africano na última década. Além disso, devemos também falar sobre os laços interpessoais, evidenciados pelo aumento das interações entre africanos na China e chineses na África", acrescentou ele.






