Arrogância em excesso -- O padrão duplo do Ocidente sobre o "excesso de capacidade" da China-Xinhua

Arrogância em excesso -- O padrão duplo do Ocidente sobre o "excesso de capacidade" da China

2026-09-10 10:30:50丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada por drone em 14 de julho de 2026 mostra uma vista do terminal internacional de contêineres no Porto de Yantai, na província de Shandong, no leste da China. (Foto de Tang Ke/Xinhua)

Por Ma Kangduo

Um artigo recente da revista britânica The Economist declarou sem rodeios: "A China não pedirá desculpas pelo excesso de capacidade". O subtítulo é ainda mais direto: "Sua política industrial se baseia em um princípio simples: a força dita o direito".

O verdadeiro problema dessa narrativa não diz respeito a pressões sobre a capacidade; trata-se de transformar a competição econômica em um julgamento moral. Quando um país expande sua manufatura, reduz custos e alcança eficiência em suas cadeias de suprimentos, ainda assim é instado a "pedir desculpas", como se o sucesso em si fosse um pecado.

PRODUÇÃO SUPERIOR À DEMANDA NÃO É EXCESSO DE CAPACIDADE

É verdade que a China possui uma capacidade de produção substancial e exportações robustas de veículos elétricos, produtos fotovoltaicos, baterias e aço. Mas isso não equivale automaticamente a "excesso de capacidade". Definir a capacidade de produção que excede a demanda interna como excesso de capacidade é uma forma excessivamente simplista de compreender o conceito.

Seguindo essa lógica, a maioria das aeronaves fabricadas nos Estados Unidos, como os aviões da Boeing, é exportada porque o mercado interno não consegue absorver toda a produção. Automóveis alemães, máquinas-ferramenta japonesas, chips sul-coreanos, artigos de luxo franceses e relógios suíços, quase todas indústrias altamente especializadas com vantagens comparativas, produzem muito mais do que seus mercados internos consomem. Se tudo isso fosse considerado "excesso de capacidade", então o comércio internacional e a própria divisão internacional do trabalho se tornariam um problema, e a teoria da vantagem comparativa seria subvertida.

Um Boeing 777 da United Airlines realiza uma demonstração em um show aéreo anual da Fleet Week em São Francisco, Califórnia, Estados Unidos, em 11 de outubro de 2025. (Foto de Ziyu Julian Zhu/Xinhua)

O fato de um país se especializar nos produtos que consegue fabricar com maior eficiência e, em seguida, trocá-los por outras mercadorias constitui, precisamente, a base da eficiência econômica moderna. Destacar as vantagens da China em certos setores e simplesmente rotulá-las como "excesso de capacidade" é, em essência, aplicar dois pesos e duas medidas de forma seletiva.

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS NA POLÍTICA INDUSTRIAL

A política industrial da China é retratada como um "modelo de cadeia industrial completa" e citada como evidência de "distorção de mercado" e "geração de excesso de capacidade". Em contrapartida, os subsídios industriais maciços, direcionados e excludentes dos Estados Unidos e da Europa são amplamente ignorados ou tratados como se nem sequer merecessem menção.

A Lei de Redução da Inflação dos EUA prevê cerca de 369 bilhões de dólares americanos em incentivos para energia limpa e questões climáticas, incluindo créditos fiscais para energia limpa e veículos elétricos, ao mesmo tempo que incorpora exigências de conteúdo nacional e de origem americana. Da mesma forma, a Lei CHIPS e de Ciência oferece incentivos substanciais para apoiar a fabricação de semicondutores nos Estados Unidos. O Acordo Industrial Limpo da UE vai ainda mais longe, planejando mobilizar mais de 100 bilhões de euros (116 bilhões de dólares) para apoiar a manufatura limpa realizada no bloco.

A lógica subjacente a essas políticas é notavelmente semelhante à das políticas industriais chinesas que elas criticam: o uso de subsídios fiscais, incentivos tributários e exigências de conteúdo nacional para moldar ativamente o cenário industrial. A única diferença está na rotulagem. Quando a China adota essas medidas, elas são chamadas de "distorção de mercado", "excesso de capacidade" e "a força dita o direito". Quando os Estados Unidos e a Europa adotam essas medidas, elas são chamadas de "autonomia estratégica", "segurança industrial" e "resposta à crise climática".

"POSSO TE BATER, MAS SE VOCÊ REVIDAR, É AGRESSÃO"

Essa aplicação de dois pesos e duas medidas se torna ainda mais evidente na narrativa em torno de "ações" e "reações".

Quando os Estados Unidos elevam tarifas e incentivam o retorno da produção industrial ao país, ou quando a Europa avança com iniciativas como o selo "Fabricado na Europa", o Acordo Industrial Limpo ou o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira, essas medidas são apresentadas como formas de "defender a base industrial remanescente", "salvaguardar a autonomia estratégica" ou "responder à concorrência desleal". A retórica é defensiva, legítima e até mesmo permeada por um certo sentimento de vitimização.

No entanto, quando a China adota contramedidas recíprocas, como tarifas, controles de exportação ou restrições equivalentes, elas são imediatamente rotuladas como "armas geopolíticas", "coerção econômica" ou "instrumentalização da interdependência". Em sua essência, trata-se da lógica de: "Estou me defendendo quando te ataco, mas você está cometendo uma agressão quando revida".

Presume-se que o Ocidente detenha um monopólio unilateral para definir o que constitui "política industrial legítima" e "contramedidas ilegais". Eles podem utilizar subsídios, regras de conteúdo nacional e barreiras tarifárias para reestruturar cadeias de suprimentos, enquanto se espera que a China simplesmente aceite o resultado e se abstenha de retribuir na mesma moeda. Assim que a China reage, a competição econômica é imediatamente elevada ao status de "ameaça à ordem internacional".

O VERDADEIRO EXCESSO

Exige-se que um país em desenvolvimento peça desculpas por "ser muito bem-sucedido", enquanto o Ocidente permanece em silêncio sobre seus próprios subsídios massivos e submete a julgamento moral as respostas equivalentes de outros países. É claramente um padrão duplo. Isso revela não rigor econômico, mas ansiedade e arrogância diante da erosão de suas próprias vantagens comparativas.

Um debate genuinamente justo deveria reconhecer que praticamente todas as grandes economias utilizam políticas industriais. A verdadeira questão não é se a política industrial existe, mas se ela é transparente, se está em conformidade com as regras e se gera distorções insustentáveis. Condenar moralmente a China, ao mesmo tempo em que a silencia sobre os próprios subsídios massivos e medidas protecionistas, apenas retirará a credibilidade do conceito de "excesso de capacidade", reduzindo-o a nada mais do que uma arma retórica.

O que a narrativa ocidental sobre o "excesso de capacidade da China" realmente revela não é a realidade econômica, mas sim arrogância e um flagrante padrão duplo.

O que o Ocidente tem em excesso são arrogância e padrões duplos, transformando competitividade em pecado, eficiência em ameaça, conquistas em erro do qual se deve arrepender e respostas recíprocas em agressão; é essa narrativa, em si, que mais precisa ser examinada.

Nota da edição: O autor é pesquisador e comentarista especializado em assuntos internacionais.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as posições da Agência de Notícias Xinhua.

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