Cooperação médica do BRICS floresce na cidade chinesa de Xiamen: casal brasileiro domina técnicas cardíacas avançadas por meio do programa "Heart Sapling"-Xinhua

Cooperação médica do BRICS floresce na cidade chinesa de Xiamen: casal brasileiro domina técnicas cardíacas avançadas por meio do programa "Heart Sapling"

2026-09-11 10:33:46丨portuguese.xinhuanet.com

Xiamen, 11 set (Xinhua) -- Um casal de médicos brasileiros, Amanda Gabas Mercado e Eric Rodrigo Morales Mercado, participou de um programa de formação médica na cidade chinesa de Xiamen, para aperfeiçoar suas habilidades em diagnóstico e tratamento cardíacos de ponta. Isso não apenas promove o intercâmbio entre os povos dos dois países, mas também impulsiona a cooperação em tecnologias médicas entre os países do BRICS.

Como exemplo de cooperação médica do BRICS, Xiamen, cidade-sede da Cúpula 2017 do BRICS, na Província de Fujian, leste da China, estabeleceu uma plataforma internacional para o desenvolvimento de talentos na área cardiovascular por meio do Programa de Pesquisadores Visitantes "Heart Sapling".

Lançado e organizado em 2022 pelo Hospital Cardiovascular de Xiamen, afiliado à Universidade de Xiamen, o programa oferece formação sistemática e especializada para participantes dos países do BRICS, bem como de outros mercados emergentes e países em desenvolvimento, com o objetivo de preencher lacunas clínicas, compartilhar tecnologias médicas avançadas e aprofundar a colaboração pragmática na área da saúde entre os Estados-membros.

Wang Yan, presidente do hospital, disse que o programa é voltado principalmente para cardiologistas com certa experiência e conhecimentos básicos em doenças cardiovasculares.

Ambos provenientes da cidade de Salvador, no nordeste do Brasil, Amanda é especialista em cirurgia cardíaca congênita, enquanto Eric se dedica à cirurgia cardíaca em adultos.

Em Xiamen, o casal adquiriu domínio das técnicas de cirurgia cardíaca minimamente invasiva por endoscopia, uma tecnologia que ainda não se popularizou no sistema de saúde brasileiro.

Amanda informou que nunca tinha trabalhado com cirurgia cardíaca minimamente invasiva no passado, e que essa formação tem sido uma experiência de aprendizado extraordinária.

O casal ficou impressionado com a forma como as equipes médicas chinesas integram técnicas minimamente invasivas de alta precisão à prática clínica diária, juntamente com seleção sistemática de pacientes, planejamento pré-operatório preciso e sistema maduro de diagnóstico e tratamento com colaboração multidisciplinar.

"Em muitos lugares, a cirurgia minimamente invasiva ainda é reservada a casos específicos, enquanto na China, já se tornou parte rotineira de cirurgias complexas realizadas diariamente", observou Eric.

Ambos consideraram que o programa "Heart Sapling" é um exemplo vivo da cooperação pragmática no âmbito do BRICS. "O maior valor não está simplesmente no aprendizado de novas técnicas cirúrgicas, mas na troca de conhecimentos, experiências clínicas e diferentes abordagens de medicina", destacou Amanda.

Segundo Eric, o programa transforma a cooperação internacional em algo concreto e representa um investimento na capacidade de saúde pública e no progresso médico futuro dos países do BRICS.

O conhecimento e as habilidades adquiridos na China podem ser compartilhados com colegas domésticos após o retorno, beneficiando inúmeros pacientes locais e impulsionando a atualização sistêmica da área médica, acrescentou ele.

"Vamos aplicar o que aprendemos de forma segura e gradual, introduzir a cirurgia cardíaca minimamente invasiva, formar uma equipe multidisciplinar qualificada e disseminar esse conhecimento para beneficiar mais pacientes locais", apresentou Amanda sobre os planos após retornarem ao Brasil.

Eric destacou a importância da adaptação localizada. "Nosso objetivo é possibilitar que os pacientes locais tenham acesso a tratamentos cirúrgicos menos invasivos, a uma recuperação pós-operatória mais rápida e a um atendimento cardíaco de maior qualidade", acrescentou ele.

Olhando para o futuro, os dois médicos apelaram por uma cooperação mais ampla e aprofundada entre os países do BRICS na área da medicina cardiovascular. Eric sugeriu a transformação dos intercâmbios individuais de curta duração em parcerias institucionais de longo prazo, abrangendo a formação médica, a pesquisa clínica e a colaboração em tecnologia médica inovadora.

"Essa cooperação médica centrada em pessoas incorpora o valor fundamental da solidariedade do BRICS: aprender juntos, crescer juntos e salvaguardar em conjunto a saúde pública global", destacou Amanda.

"A medicina não tem fronteiras. As boas tecnologias médicas e o alto nível profissional devem ser compartilhados por todos em todo o mundo", ressaltou Wang Yan.

Gabriel de Castro Castelo, um cardiologista intervencional do Hospital Nacional Rosales do Brasil, também participou do programa "Heart Sapling" em 2025. "Esse intercâmbio é ótimo para o desenvolvimento das pessoas e dos países. Acho que é uma coisa em que todos ganham", assinalou ele.

Até setembro de 2026, um total de 46 estagiários de 18 países, incluindo Brasil, Rússia, Índia, Egito, Etiópia e Vietnã, receberam treinamento através do programa. Muitos dos formados tornaram-se figuras-chave nos principais centros cardíacos de seus respectivos países.

Com o programa "Heart Sapling", a cooperação entre a China e o Brasil na área cardiovascular continua se aprofundando e se consolidando, injetando dinamismo na cooperação em saúde entre os países do BRICS.

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