Em São Paulo, a música ganhou novos contornos no palco do icônico Theatro São Pedro.
O Coral Jovem do Estado reuniu canções chinesas e brasileiras, em uma apresentação que celebrou o encontro entre as duas culturas, como parte do Ano Cultural China-Brasil.
Mas, para que tudo isso acontecesse, foi preciso começar bem antes das cortinas se abrirem.
Vozes são preparadas, arranjos são conferidos e cada detalhe precisa estar no lugar, para que o público tenha uma experiência inesquecível.
Sob a orientação e regência da cantora lírica Marília Vargas, o grupo trabalhou a pronúncia e interpretação das canções chinesas, transformando um idioma desconhecido em música.
SOUNDBITE - Marília Vargas - Cantora Lírica
"Nossos alunos são muito flexíveis, eles estão acostumados a cantar em alemão, em italiano e em francês, em latim, em português.
Então, eles já têm uma certa experiência, mas é claro, foi um grande desafio trazer uma língua tão diferente como a chinesa."
E essa diferença pode ser ouvida na melodia, no ritmo e na própria forma de usar a voz.
Para os cantores, o primeiro desafio foi aprender a transformar palavras novas em emoções.
SOUNDBITE - Octávio Vieira Silva - Cantor
"Eu acho que uma dificuldade para mim da língua chinesa foi não saber exatamente a posição da língua. Porque a gente fala e sai de maneira natural, só que tem algumas palavras em chinês que a gente tem que pensar no posicionamento da língua.
E aí não é tão natural para mim. Eu acho que essa foi uma dificuldade, porque, dependendo de como você coloca ela na altura, ela sai de uma maneira diferente, a pronúncia fica diferente."
Detalhes que, nos ensaios, exigiram atenção redobrada à pronúncia e à memorização.
Mas, na hora do concerto, a preocupação com a língua deu lugar à música envolvente, que rompeu as barreiras geográficas e culturais entre os dois povos.
E a sonoridade ganhou ainda mais personalidade com a participação de dois músicos que tocaram instrumentos tradicionais chineses.
A proposta do maestro e regente Tiago Pinheiro foi criar um diálogo entre essas sonoridades e o repertório brasileiro.
SOUNDBITE - Tiago Pinheiro - Maestro
"Esse caldeirão de misturas que é o Brasil, eu acho que é um elemento muito interessante a gente poder dialogar com esses timbres tão diferentes, com essa maneira que influenciou bastante o coro, eu acho que a gente explorou sonoridades diferentes, particularmente interessantes nesse concerto."
De volta à música brasileira, o coral mostrou que o encontro entre as duas culturas não precisava apagar as diferenças.
Pelo contrário: eram justamente elas que davam novos significados à apresentação.
SOUNDBITE - Clara Sabaini - Cantora
"Todo mundo gostou muito, adorou descobrir esse universo novo e foi muito bom para a gente ter sido bem aceito por eles, pelo público, porque é difícil você cantar para um público brasileiro uma coisa que eles nunca tiveram acesso e que a gente também nunca tinha tido antes. Então é uma conversa cultural diferente, mas é muito legal poder dividir isso com as pessoas daqui do Brasil. Acho que foram muito bem recebidos."
E se, para os cantores, o desafio foi se aproximar de uma cultura diferente por meio da música, para a plateia o caminho foi o mesmo: descobrir uma nova sonoridade a partir de uma apresentação feita por artistas brasileiros.
SOUNDBITE - Charles Vicente Petronilho Ferreira - Espectador
"Eu achei muito bonito e eu fiquei bastante impressionado com o quão bem as coisas ficaram integradas. Como elas funcionaram bem, de uma passagem de uma cultura para outra, de poesias tão diferentes, de modos de pensar o mundo tão diferentes, mas como eles caminharam bem juntos."
No Teatro São Pedro, chineses e brasileiros compartilharam mais do que um repertório.
Compartilharam vozes, ritmos e diferentes formas de contar histórias através da música.
Correspondentes de Xinhua News informando de São Paulo, Brasil. (XHTV)

