Rio de Janeiro, 11 set (Xinhua) -- O Brasil registrou deflação de 0,32% em agosto, a maior queda mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde setembro de 2022, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
O resultado representou uma desaceleração em comparação com o aumento de 0,07% registrado em julho e foi impulsionado principalmente pela queda nas tarifas de energia elétrica residencial, alimentos e passagens aéreas. Nos primeiros oito meses do ano, o IPCA registrou alta de 3,11%, enquanto nos últimos 12 meses acumula alta de 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados até julho.
O principal fator de deflação foi o setor imobiliário, cujos preços caíram 1,87%. Dentro desse grupo, a eletricidade residencial caiu 7,63%, principalmente devido à aplicação do Bônus Itaipu nas contas emitidas durante o mês de agosto.
Outros fatores que contribuíram para a queda foram os transportes (redução de 0,86%), alimentos e bebidas (redução de 0,34%) e comunicações (redução de 0,09%).
Entre os alimentos, destacaram-se as reduções de preços em batatas (redução de 19,89%), cenouras (redução de 11,22%), cebolas (redução de 11,07%), tomates (redução de 10,94%), ovos (redução de 4,15%) e café moído (redução de 1,86%).
No setor de transportes, as passagens aéreas caíram 13,17%, enquanto os preços dos combustíveis diminuíram 0,91%, com o etanol caindo 3,95% e a gasolina 0,59%. O resultado de agosto coloca a taxa de inflação acumulada em 12 meses dentro da faixa de tolerância da meta estabelecida pelo Banco Central, de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Segundo o IBGE, o resultado reflete principalmente o impacto de componentes específicos sobre o índice geral, especialmente a energia elétrica residencial, e, portanto, deve ser interpretado levando-se em consideração o caráter pontual de alguns desses fatores. A queda nos preços dos alimentos também contribuiu para aliviar a inflação durante o mês, com reduções significativas em produtos de consumo comum.
Contudo, parte do efeito deflacionário em agosto está associada a fatores temporários, principalmente o desconto aplicado às tarifas de energia elétrica, de modo que os preços da eletricidade retornarão aos valores integrais em setembro.

