BRICS, um caminho para um mundo mais equitativo e multipolar-Xinhua

BRICS, um caminho para um mundo mais equitativo e multipolar

2026-09-13 11:08:32丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 17 de julho de 2026 mostra o Fórum Mútuo do BRICS da Conferência Mundial de IA 2026 (WAIC, na sigla em inglês) e a Reunião de Alto Nível sobre Governança Global de IA em Shanghai, no leste da China. (Xinhua/Liu Ying)

Por Dr. Diaa Helmy

O mundo hoje enfrenta crescentes desafios econômicos, políticos e comerciais em meio ao aumento do unilateralismo e do protecionismo. Nesse contexto, acredito que o BRICS, especialmente após sua expansão para o "BRICS Plus", se tornou uma plataforma importante para a construção de um mundo mais equitativo e multipolar.

As últimas décadas mostraram que a hegemonia e o unilateralismo muitas vezes alimentam conflitos e tensões em vez de promover a estabilidade e o desenvolvimento. É nesse contexto que o conceito de "um futuro compartilhado para a humanidade" assume particular importância, enfatizando a cooperação e o benefício mútuo como base para a construção de uma ordem global mais equitativa.

O BRICS foi inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China, expandindo-se posteriormente com a adesão da África do Sul e, em seguida, de novos membros, incluindo o Egito no início de 2024. Essa expansão fortaleceu a representação do Sul Global e aumentou o peso econômico e político do grupo.

EXPANSÃO DO BRICS AUMENTA VOZ DO SUL GLOBAL

A expansão do BRICS oferece aos países do Sul Global mais espaço para expressar seus interesses e abre novos caminhos para a cooperação econômica, tecnológica, industrial e cultural. Hoje, os países do BRICS representam cerca de metade da população mundial, quase metade dos consumidores e dos mercados consumidores globais, dando ao grupo um peso econômico considerável.

A diversidade geográfica e demográfica dos países do BRICS, juntamente com seus recursos naturais, é uma fonte de força e uma oportunidade para maior integração.

Ao mesmo tempo, o BRICS não se opõe a nenhum país, moeda ou partido em particular. O objetivo é apoiar os direitos legítimos dos Estados-membros ao desenvolvimento, progresso e prosperidade dentro de uma estrutura mais equitativa e equilibrada para a cooperação internacional.

Essa abordagem é particularmente relevante, visto que o comércio global enfrenta desafios crescentes decorrentes de tarifas unilaterais e protecionismo excessivo. Em minha opinião, tarifas elevadas podem prejudicar não apenas o país-alvo, mas também o país que as impõe, ao direcionar os mercados para alternativas e restringir o livre comércio.

A política de abertura da China oferece segurança à economia mundial. A China não apenas exporta seus produtos, mas também abre seu mercado para produtos de outros países. Por exemplo, a Exposição Internacional de Importação da China em Shanghai proporciona aos países em desenvolvimento e aos países do Sul Global acesso ao mercado chinês e a novas oportunidades comerciais.

O BRICS pode aproveitar essa abordagem expandindo o comércio entre seus membros e aumentando as trocas de tecnologia, informação e conhecimento especializado.

Foto tirada em 20 de fevereiro de 2026 mostra uma vista de Aswan, no Egito. O Egito abriga uma civilização antiga que floresceu ao longo do Rio Nilo. (Xinhua/Xin Mengchen)

EGITO, CHINA E BRICS: UMA PARCERIA EM AÇÃO

Para o Egito, a adesão ao BRICS é uma importante oportunidade para expandir a cooperação nas esferas econômica, comercial, industrial, cultural e política, criando maiores oportunidades para o comércio, a transferência de tecnologia e o investimento com outros Estados-membros.

A China é um exemplo notável dessa cooperação. O comércio entre Egito e China atingiu cerca de 20,79 bilhões de dólares americanos em 2025, enquanto o investimento chinês acumulado no Egito ultrapassou 10 bilhões de dólares, além de milhares de empregos criados para jovens egípcios por projetos chineses.

Esses números refletem não apenas o crescimento das relações econômicas, mas também uma mudança qualitativa na cooperação, particularmente na transferência de tecnologia e na localização industrial. Apoiada pela vontade política das lideranças dos dois países, a parceria estratégica abrangente Egito-China tem ajudado a transferir tecnologia e conhecimento especializado e a apoiar os esforços do Egito para localizar sua indústria.

A Iniciativa Cinturão e Rota, proposta pela China, é, na minha opinião, uma das iniciativas mais importantes do século 21. Seu escopo vai além da economia, abrangendo comércio, cultura, turismo e intercâmbios interculturais. Da mesma forma, o Novo Banco de Desenvolvimento, com sede em Shanghai, apoia os países do BRICS por meio de uma estrutura financeira baseada no respeito mútuo e na soberania nacional.

O Egito tem outras oportunidades de se beneficiar da cooperação com a China e outros países do BRICS, particularmente nos setores de manufatura e exportação. Sua localização estratégica e o acesso aos mercados africanos e árabes podem permitir que o país se torne uma base para produção e exportação conjuntas.

O BRICS certamente enfrentará desafios e pressões, especialmente de setores que veem o crescente poder do grupo como uma ameaça aos seus interesses. Acredito que uma maior cooperação entre os Estados-membros seja a melhor maneira de fortalecer a capacidade do grupo de resistir a essas pressões e desafios.

É necessário ampliar o comércio e os investimentos entre os países do BRICS, organizar exposições e conferências econômicas conjuntas regulares, incentivar o intercâmbio de especialistas e informações, e transformar ideias em projetos com benefícios tangíveis para as pessoas.

A força do BRICS está na sua capacidade de oferecer um modelo de integração em vez de conflito, e de cooperação em vez de hegemonia. Em um mundo de incertezas crescentes, acredito que uma maior cooperação seja o caminho mais realista. O Egito e a China, com sua vontade e visão compartilhadas, podem desempenhar um papel importante no avanço dessa trajetória.

 

Nota da edição: Diaa Helmy é fundador e secretário-geral da Câmara de Comércio Sino-egípcia no Cairo, membro do Comitê da Ásia no Conselho Egípcio das Relações Exteriores e membro da Associação de Amizade Sino-egípcia no Cairo.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as da Agência de Notícias Xinhua.

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