Destaque: Ópera chinesa encontra Oscar Wilde em um novo musical de fusão intercultural-Xinhua

Destaque: Ópera chinesa encontra Oscar Wilde em um novo musical de fusão intercultural

2026-09-17 10:26:33丨portuguese.xinhuanet.com

Aimee Yue (direita) e Megan Winstanley atuam no musical "The Silk Road (Kinda)" ("A Rota da Seda — Mais ou Menos", em tradução livre) em Edimburgo, Reino Unido, em 17 de agosto de 2026. (Xinhua)

Por Zhao Jiasong

Londres, 14 set (Xinhua) -- Em uma sala de ensaios em Londres, na segunda-feira, Yu Ji, da Ópera de Beijing, e Salomé, da peça de Oscar Wilde, se encontraram em um musical original que mescla tradições teatrais chinesas e ocidentais.

A artista chinesa de teatro musical Aimee Yue escreveu e dirigiu o musical "The Silk Road (Kinda)" ("A Rota da Seda — Mais ou Menos", em tradução livre), no qual interpreta Yu Ji ao lado da atriz britânica Megan Winstanley, que faz o papel de Salomé. A produção de 55 minutos foi apresentada no Festival Fringe de Edimburgo em agosto, após apresentações anteriores em Londres.

Yu Ji, também conhecida como Consorte Yu, foi a companheira de Xiang Yu, um importante líder militar durante os anos finais da Dinastia Qin (221 a.C. – 207 a.C.). A separação final do casal tornou-se, mais tarde, a base de "Adeus, Minha Concubina", uma das histórias mais conhecidas da ópera chinesa. Salomé, por sua vez, é fortemente associada no teatro ocidental à peça de Wilde e à Dança dos Sete Véus.

Seus diferentes mundos teatrais ficam evidentes desde o momento em que aparecem em cena. A Yu Ji de Yue carrega um leque dobrável chinês e movimenta-se com gestos típicos da Ópera de Beijing, enquanto a Salomé de Winstanley segura um leque de renda em estilo vitoriano e fala e canta seguindo, em grande parte, o estilo do teatro musical ocidental. Máscaras, longas faixas de seda, canções pop e a percussão da Ópera de Beijing também permeiam a apresentação.

A história se desenvolve por meio do contraste entre as duas personagens. Salomé é franca e impulsiva, enquanto Yu Ji é mais reservada, contida e profundamente ligada ao dever. Seus primeiros encontros são marcados por mal-entendidos relacionados à linguagem, ao comportamento e às suas diferentes tradições culturais e teatrais.

"Elas não precisam descobrir que são iguais", disse Yue. Em vez disso, a amizade delas se desenvolve à medida que aprendem a compreender suas diferenças. Em certo momento, as duas trocam de leques, passando cada uma a usar um objeto associado ao universo teatral da outra.

A atuação de Yue enriquece a conhecida personagem chinesa. Registros históricos oferecem poucos detalhes sobre a própria Yu Ji. Nesta versão musical, Yu Ji ganha mais espaço para falar sobre suas escolhas e, por fim, decide retomar sua própria história antes de partir para uma nova jornada com Salomé.

A produção também busca apresentar a Ópera de Beijing a públicos com pouco conhecimento prévio dessa forma de arte. Yu Ji às vezes fala inglês enquanto mantém os movimentos característicos da Ópera de Beijing, ajudando os espectadores a associar gestos a significados, ao mesmo tempo em que longas faixas de seda, máscaras e leques são incorporados à narrativa corporal.

"Quero tornar a Ópera de Beijing mais acessível, sem comprometer sua lógica teatral", disse Yue.

Ela relembrou o encontro com um espectador que, antes do espetáculo, disse não gostar de Ópera de Beijing. Após a apresentação, no entanto, ele ficou para conversar sobre como a apresentação o ajudou a compreender melhor alguns dos movimentos.

A trilha sonora adota uma abordagem semelhante, combinando elementos melódicos e de percussão da Ópera de Beijing com canções de teatro musical, música pop e composições da própria Yue. A instrumentação inclui guzheng, flauta e tambores chineses.

Yue estudou Ópera de Beijing na China antes de se mudar para o Reino Unido em 2016, aos 14 anos, e posteriormente recebeu formação em teatro dramático e teatro musical britânicos. Ela se formou na Academia Mountview de Artes Cênicas em 2024 e, recentemente, concluiu uma turnê de um ano pelo Reino Unido e Irlanda com o musical "Miss Saigon" ("Senhorita Saigon", em tradução livre).

A temporada em Edimburgo recebeu críticas positivas. O crítico Andrew Girdwood, do site Edinburgh Reviews, concedeu quatro estrelas à produção, classificando-a como um "musical intercultural e inventivo do Fringe" e descrevendo-a como um encontro entre "Ópera de Beijing e Oscar Wilde".

Luis Garcia, especialista em teatro musical da Goldsmiths, Universidade de Londres, descreveu a obra como "uma peça de teatro musical ambiciosa e singular". Segundo ele, a combinação da Ópera de Beijing com o teatro musical contemporâneo pode apresentar a linguagem teatral e as tradições culturais da Ópera de Beijing a novos públicos internacionais, além de contribuir para um debate intercultural mais amplo.

A produção dá continuidade a colaborações teatrais anteriores entre artistas chineses e britânicos. Em 2016, o Centro de Artes Dramáticas de Shanghai e a companhia britânica de teatro físico Gecko criaram "The Dreamer" ("O Sonhador", em tradução livre), inspirando-se na obra "O Pavilhão das Peônias", do dramaturgo chinês Tang Xianzu, e em "Sonho de uma Noite de Verão", de Shakespeare.

"Queremos continuar explorando como o teatro, a história e as tradições culturais chinesas podem interagir com a narrativa cênica ocidental e, quem sabe, desenvolver mais produções originais a partir disso", disse Wang Yanli, produtora associada do espetáculo.

Aimee Yue atua no musical "The Silk Road (Kinda)" ("A Rota da Seda — Mais ou Menos", em tradução livre) em Edimburgo, no Reino Unido, em 17 de agosto de 2026. (Xinhua)

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com