Beijing, 18 set (Xinhua) -- Até 2030, a China ampliará de forma contínua sua capacidade integral de produção de grãos, preservando o patamar mínimo de autossuficiência básica em grãos e a segurança absoluta nos alimentos básicos, segundo o plano de desenvolvimento nacional do cultivo agrícola para o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030) divulgado pelo Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais.
Sob o plano, até 2030, a China consolidará e aumentará a capacidade de produção de soja, sementes oleaginosas, algodão e açúcar para manter um nível razoável de autossuficiência e garantir suprimentos equilibrados, diversificados e seguros de vegetais, frutas e chá.
O plano também define medidas específicas para diferentes culturas e regiões.
Dada forte ênfase à transição verde, o plano pede a conservação da água agrícola e o uso mais meticuloso de fertilizantes e pesticidas.
Vale lembrar que a transformação de baixo carbono na produção agrícola chinesa incentiva outros países rumo à sustentabilidade.
Saudando o crescimento da consciência ambiental dos consumidores chineses, Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, ressaltou que é justamente nesse campo que o Brasil e a China apresentam uma forte complementaridade estratégica.
O plano também destaca o papel de liderança das novas forças produtivas de qualidade na agricultura, incluindo a criação e promoção de variedades inovadoras e a aplicação de máquinas inteligentes.
A tecnologia já contribui com mais de 64% para o crescimento da produção agrícola da China.
Este plano relativo ao cultivo agrícola está alinhado com o plano de aceleração da modernização agrícola e rural durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que estabelece uma meta de aumentar a capacidade abrangente de produção de grãos do país para cerca de 725 milhões de toneladas até 2030.
"O período do 15º Plano Quinquenal é crítico para alcançar basicamente a modernização agrícola e rural", disse Zhao Changbao, diretor do Centro de Pesquisa de Economia Rural do Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais, em um artigo recente.
"Aumentar continuamente a taxa de produção da terra, a taxa de utilização de recursos e a produtividade do trabalho é uma escolha inevitável para responder às mudanças no país e no exterior, consolidando as bases do desenvolvimento agrícola e salvaguardando a segurança alimentar nacional", disse ele.
Zhao notou ainda que este plano está em linha com a exigência do plano de aceleração da modernização agrícola e rural durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), no que tange a impulsionar, de forma simultânea, a produção e a capacidade produtiva, conciliar a produção e a ecologia e elevar o rendimento e a renda.
A base da segurança de grãos da China continuou a se fortalecer. A produção de grãos do país atingiu cerca de 714,9 milhões de toneladas em 2025, marcando o segundo ano consecutivo com produção de grãos acima de 700 milhões de toneladas.
O plano vem numa altura em que a segurança alimentar global enfrenta ventos contrários crescentes. O relatório do Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026, divulgado em julho por cinco agências especializadas das Nações Unidas, estima que cerca de 645 milhões de pessoas, ou 7,8% da população global, foram afetadas pela fome em 2025.
A China alimenta quase 20% da população mundial com menos de 9% de suas terras aráveis e manteve sua taxa de autossuficiência em grãos em um nível elevado.

