Beijing, 21 set (Xinhua) -- O consumo de eletricidade da China voltou a superar 1 trilhão de kWh em agosto, mês em que a carga máxima atingiu nível recorde e a demanda por energia cresceu em ritmo muito mais acelerado na manufatura de alta tecnologia e nos serviços da nova economia, refletindo a transformação estrutural em curso na economia chinesa.
O consumo chegou a 1,0332 trilhão de kWh no mês, alta de 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados neste domingo pela Administração Nacional de Energia da China. O pico de demanda atingiu o recorde de 1,56 bilhão de kW, 49,69 milhões de kW acima da máxima registrada no ano anterior. Ao longo de agosto, esse patamar foi superado em um total de sete dias.
Por setor, o consumo de eletricidade do setor primário aumentou 2,7% em termos anuais, para 16,9 bilhões de kWh. No setor secundário, a alta foi de 2,4%, para 612,4 bilhões de kWh, enquanto o setor terciário consumiu 215,5 bilhões de kWh, avanço de 5,1%.
"Os setores secundário e terciário são os principais motores do crescimento do consumo de eletricidade", disse Wu Liqiang, autoridade do Conselho de Eletricidade da China.
Segundo ele, a manufatura manteve a tendência de expansão dos novos setores e retração dos segmentos tradicionais. A manufatura de alta tecnologia e de equipamentos continuou crescendo rapidamente, enquanto a fabricação de bens de consumo foi a segunda maior contribuição positiva para a demanda de eletricidade no setor, atrás apenas da manufatura de alta tecnologia e de equipamentos.
O consumo de eletricidade da manufatura de alta tecnologia e de equipamentos chegou a 122,2 bilhões de kWh em agosto, alta anual de 7,2%. Os segmentos de equipamentos de informática e comunicação, automóveis, equipamentos de uso geral, equipamentos especiais e máquinas elétricas registraram aumentos de 7,5%, 7,6%, 7,6%, 8,2% e 12,3%, respectivamente.
Na indústria automobilística, o consumo de eletricidade na produção de veículos de nova energia (NEVs) saltou 22,2% em relação ao ano anterior.
Wu acrescentou que novos modelos de negócios vêm se tornando uma importante fonte de crescimento da demanda de eletricidade no setor terciário e na economia como um todo.
Os setores de serviços de recarga e troca de baterias e de serviços de dados de internet registraram rápido crescimento no consumo de eletricidade em agosto, com altas de 51,2% e 37,9%, para 17,2 bilhões e 10,2 bilhões de kWh, respectivamente.
Já o consumo residencial caiu 4% em termos anuais, para 188,3 bilhões de kWh. A maior frequência de tufões e o volume de chuvas acima do registrado no ano passado reduziram significativamente a demanda por ar-condicionado.
Nos primeiros oito meses do ano, o consumo total de eletricidade da China chegou a 7,17 trilhões de kWh, alta anual de 4,3%, segundo a Administração Nacional de Energia. Nos setores primário, secundário e terciário, o consumo cresceu 3,3%, 4,4% e 7,1%, para 104,6 bilhões, 4,53 trilhões e 1,43 trilhão de kWh, respectivamente.
No mesmo período, o consumo da manufatura de alta tecnologia e de equipamentos aumentou 9,3%, para 845,1 bilhões de kWh. Nos serviços de recarga e troca de baterias, a alta foi de 55,1%, para 114,7 bilhões de kWh, enquanto nos serviços de dados de internet o crescimento chegou a 42,5%, para 69,5 bilhões de kWh. O consumo residencial avançou 0,3%, para 1,11 trilhão de kWh.
A China registrou nos últimos anos avanços significativos em sua infraestrutura elétrica, reforçando a estabilidade do fornecimento nos períodos de pico e dando suporte ao desenvolvimento econômico e social e às necessidades básicas da população, informou em julho a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.
Segundo o relatório anual sobre o desenvolvimento do setor elétrico chinês divulgado em julho pelo Conselho de Eletricidade da China, o consumo total de eletricidade do país deve crescer entre 5% e 6% em 2026.
A capacidade de geração adicionada ao sistema neste ano deve chegar a cerca de 400 milhões de kW, com as novas fontes de energia respondendo pela maior parte da expansão. O acréscimo de capacidade de fontes convencionais deve ficar em torno de 100 milhões de kW, aproximadamente no mesmo nível do aumento da demanda máxima, acrescentou o relatório.

