Experiências diretas de americanos oferecem novas perspectivas sobre a China-Xinhua

Experiências diretas de americanos oferecem novas perspectivas sobre a China

2026-09-25 11:08:25丨portuguese.xinhuanet.com

Jovens músicos chineses e americanos se apresentam em um concerto conjunto em Nova York, Estados Unidos, em 10 de junho de 2026. (Xinhua/Zhang Fengguo)

Por Yang Shilong e Vivien Liu

Nova York, 23 set (Xinhua) -- Russell Craig Targove pode começar a cantar uma música chinesa em Nova York e esperar que as pessoas ao seu redor se juntem a ele.

Há quase três décadas e a milhares de quilômetros de distância, na Sérvia, Sanja Vasic teve seu primeiro contato com a cultura chinesa quando um professor do ensino médio escreveu caracteres chineses em uma lousa.

Para ambos, encontros aparentemente casuais evoluíram para vínculos duradouros com a China.

A MÚSICA ABRE UMA PORTA

No início da década de 1990, Targove, um artista de Nova York, começou a organizar noites de karaokê em um restaurante chinês de propriedade de um empresário de Hong Kong. Ele logo começou a aprender músicas pop chinesas, marcando o início de uma conexão de décadas com a comunidade chinesa de Nova York.

As músicas chinesas abriram uma porta que ia além da música. Por meio de apresentações em eventos comunitários e casamentos, ele se familiarizou com tradições que iam desde cerimônias do chá até brindes de casamento.

Uma música que ficou marcada para ele foi "The Moon Represents My Heart".

"Todo mundo a conhece", disse ele. "Posso começar a cantá-la, então todos cantam juntos".

Para Targove, a música pode criar conexões mesmo quando os ouvintes não compartilham o mesmo idioma.

"É lindo ver as pessoas respeitando a cultura umas das outras", disse ele. "Sempre defendo a aproximação entre essas culturas".

A música chinesa também alcançou públicos mais amplos em importantes espaços culturais de Nova York, incluindo o Carnegie Hall e o Lincoln Center. As apresentações nesses locais contaram com instrumentos tradicionais como o erhu, a pipa e o guzheng.

Músicos se apresentam em um concerto em celebração ao Ano Novo Chinês no Carnegie Hall, em Nova York, nos Estados Unidos, em 24 de fevereiro de 2026. (Xinhua/Zhang Fengguo)

Em um debate realizado em agosto pelo Comitê Nacional das Relações EUA-China sobre a crescente visibilidade da influência cultural chinesa nos Estados Unidos, Michael Berry, diretor do Centro de Estudos Chineses da Universidade da Califórnia, Los Angeles, disse que a influência cultural não segue necessariamente um caminho único, de cima para baixo.

"A maneira como ela se manifesta é, às vezes, imprevisível", disse Berry.

"Quando você entra em contato com algo que talvez lembre seus pais, ‘Ah, meu pai adorava essa música’, e isso cria uma ponte", disse Targove.

DA LINGUAGEM À EXPERIÊNCIA VIVIDA

Para Vasic, nascida na Sérvia e hoje cidadã americana, a língua foi a porta de entrada.

Quando ainda estava no ensino médio na Sérvia, ela viu seu professor de inglês escrever caracteres chineses na lousa.

"Algo despertou dentro de mim", relembrou ela em uma entrevista recente à Xinhua. "Eu disse a mim mesma: ‘Embora eu não entenda isso, vou aprender. Vou compreender’".

O aprendizado do idioma a levou a se aprofundar na história e na filosofia chinesas, incluindo o pensamento confucionista e o taoísmo.

"Acho que isso se tornou parte integrante de quem eu sou", disse ela.

Vasic também viajou extensivamente pela China. Olhando para trás, ela disse que um dos aspectos mais fascinantes do país era "como ele equilibrava modernização e continuidade".

Quando chegou pela primeira vez, em 1998, lembra-se de ruas repletas de bicicletas e de pequenos negócios privados coexistindo com lojas estatais. Celulares e tecnologia digital ainda não faziam parte do cotidiano.

"O mais impressionante é a transformação, assim como a escala e a velocidade dela", disse ela.

Visitantes americanos mais recentes vivenciaram essa transformação a partir de um ponto de partida diferente.

Antes de viajar para a China pela primeira vez, a fotógrafa nova-iorquina Delaney Masal esperava encontrar o país que via há muito tempo retratado nas manchetes americanas: superlotado, menos desenvolvido e pouco acolhedor.

Em vez disso, a experiência a deixou maravilhada.

Veículos trafegam por uma via elevada enfeitada com rosas chinesas em Hangzhou, na província de Zhejiang, no leste da China, em 30 de abril de 2026. (Xinhua/Han Chuanhao)

Ao viajar pela província de Zhejiang, no leste da China, Masal se surpreendeu com a dimensão e o movimento de Hangzhou e, mais tarde, com a convivência entre tecnologia de ponta e cidades e paisagens seculares.

Joshua Cuppek, outro visitante americano que conhecia o país pela primeira vez, chegou com uma expectativa diferente.

"Eu sempre imaginei que a China seria agitada e frenética, mas tudo nela, a cultura, as paisagens, transmitia calma. Era quase meditativo, à sua própria maneira", disse ele.

Essas experiências diretas tornaram-se mais comuns à medida que a China ampliou a política de isenção de vistos. No primeiro semestre de 2026, cidadãos estrangeiros realizaram 17,82 milhões de entradas na China sem necessidade de visto, um aumento de 30,6% em relação ao ano anterior, segundo a Administração Nacional de Imigração da China.

Para Vasic, esse contato direto é importante.

Aprender chinês, disse ela, "enriquece a vida de maneiras que as pessoas nem imaginam" e "abre os olhos para o resto do mundo".

UMA IMAGEM DIFERENTE DA CHINA MODERNA

A tecnologia criou outro ponto de contato.

Ao falar no mesmo debate do Comitê Nacional, Shaoyu Yuan, professor assistente visitante no Centro de Assuntos Globais da Universidade de Nova York, disse que alguns jovens americanos estão prestando atenção a aspectos do cotidiano na China que, no passado, recebiam pouca atenção nos Estados Unidos.

"Tudo gira em torno da rapidez e limpeza do transporte público, do nível de desenvolvimento dos veículos elétricos, dos pagamentos móveis e da robótica. E, nesse sentido, a China se torna um ponto de comparação", disse Yuan.

Um robô humanoide serve comida a clientes em um restaurante em Shenzhen, na província de Guangdong, no sul da China, em 4 de agosto de 2026. (Xinhua/Liang Xu)

Vasic acompanhou outra parte dessa transformação ao longo de quase três décadas: a transição das empresas chinesas, que antes produziam bens projetados no exterior, para o desenvolvimento de suas próprias tecnologias e produtos.

Essa mudança também está sendo percebida pela opinião pública americana. Veículos elétricos, baterias, drones, robótica, pagamentos móveis e trens de alta velocidade tornaram-se não apenas temas do setor tecnológico, mas também janelas pelas quais alguns americanos conhecem a China contemporânea.

Uma pesquisa realizada em 2026 pelo Committee of 100 e pelo NORC da Universidade de Chicago revelou que 59% dos americanos eram favoráveis ​​a uma maior cooperação entre os Estados Unidos e a China.

Para Vasic, o valor de conhecer outra cultura é, em última análise, algo mais pessoal.

"Podemos falar idiomas diferentes. Podemos ter culturas e origens distintas", disse ela. "Mas todos nós nos importamos com as mesmas coisas: nossa família, nossos filhos, um trabalho significativo, saúde e a esperança de um futuro melhor".

"Me apaixonei pelo idioma e pela cultura, e nunca me arrependi da decisão", disse ela. "Continuo aprendendo".

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