Beijing, 3 out (Xinhua) -- O volume de entregas expressas na China em 2026 ultrapassou 150 bilhões de pacotes até 29 de setembro, atingindo esse patamar 12 dias antes do registrado em 2025, informou a Administração Estatal de Correios (AEC) nesta quarta-feira.
O ritmo acelerado do fluxo de encomendas evidencia a resiliência e o dinamismo da economia chinesa, observaram analistas.
O setor de entregas expressas da China registra crescimento de dois dígitos há vários anos, batendo recordes consecutivos. Em 2025, o país processou 198,95 bilhões de pacotes, um aumento de 13,6% na comparação anual.
Esse ímpeto manteve-se em 2026. Em meio a uma economia estável em transição para um crescimento de maior qualidade, houve expansão na demanda dos consumidores, proporcionando uma base sólida para o crescimento do mercado de entregas expressas.
A China segue como o segundo maior mercado consumidor do mundo e continua crescendo. Nos primeiros oito meses deste ano, as vendas no varejo totais de bens e serviços, principal indicador da força do consumo do país, aumentaram 2,5% ano a ano. As vendas no varejo online de bens e serviços chegaram a quase 13,48 trilhões de yuans (US$ 2 trilhões), alta de 4,6%.
Fu Linghui, porta-voz do Departamento Nacional de Estatísticas, afirmou que o mercado consumidor cresce em escala e também passa por transformações, o que se reflete principalmente na mudança gradual da estrutura e dos padrões de consumo.
Produtos inteligentes e sustentáveis são os destaques: dispositivos vestíveis e eletrodomésticos de alta eficiência energética estão entre as categorias com maior crescimento. Paralelamente, o comércio eletrônico via transmissão ao vivo e o varejo sob demanda estão desempenhando um papel cada vez mais proeminente na transformação do mercado
O crescimento constante do setor neste ano também reflete uma mudança mais profunda na forma como as redes logísticas da China operam. As empresas de entrega não estão mais apenas transportando pacotes, mas se integrando às linhas de produção dos fabricantes para impulsionar o fluxo de mercadorias nas cadeias de suprimentos industriais.
Em Ningbo, na Província de Zhejiang, no leste da China, empresas de entrega assumiram a operação de armazéns de peças de reposição para fabricantes como a Geely Auto, conectando-se diretamente aos seus sistemas de produção. Vale destacar que a cidade desenvolveu 282 projetos de colaboração desse tipo entre empresas de logística e fabricantes, sendo que os negócios relacionados representam quase metade do volume total de entregas expressas de Ningbo.
Segundo analistas, a integração profunda das entregas expressas às cadeias de produção está se tornando um novo motor para a modernização industrial.
Além disso, a China expandiu as redes de entrega para áreas remotas para melhorar os serviços públicos e liberar e estimular o consumo nas zonas rurais.
Moradores de Changwangchuan, no distrito de Fangxian, Província de Hubei, no centro da China, costumavam percorrer mais de 10 quilômetros em motos elétricas apenas para retirar suas encomendas, um trajeto necessário devido ao terreno montanhoso da região. Um novo programa piloto está mudando isso: neste ano, as autoridades iniciaram a expansão dos serviços de entrega em domicílio para comunidades rurais nas regiões no centro e oeste da China.
Até o final de agosto, o programa já havia coberto cerca de 3 mil aldeias, incluindo Changwangchuan. Para os moradores locais, a mudança tornou a vida diária muito mais fácil e deu um impulso significativo ao volume de entregas expressas na região.
O setor de entregas expressas serve tanto como uma artéria vital para a economia em geral quanto como um elo essencial para o cotidiano das pessoas, afirmou a AEC. A pasta destacou que, com a consolidação de políticas de incentivo ao consumo e o surgimento de novos motores de crescimento, o setor está preparado para desempenhar um papel ainda maior no fortalecimento de um desenvolvimento econômico de alta qualidade.

