Parceria com a China ajuda a Espanha a fortalecer a cadeia de valor de veículos elétricos-Xinhua

Parceria com a China ajuda a Espanha a fortalecer a cadeia de valor de veículos elétricos

2026-10-06 09:46:53丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 27 de novembro de 2024 mostra baterias de íon-lítio no estande da Gotion na 3ª edição da Exposição Internacional de Cadeia de Suprimentos da China (CISCE, na sigla em inglês), em Beijing, capital da China. (Xinhua/Ju Huanzong)

A nova parceria visa transformar Sagunto em um polo europeu de produção de células unificadas à base de fosfato de ferro-lítio (LFP). A primeira fase da fábrica está agora planejada para ter uma capacidade anual de até 30 GWh, 50% acima dos 20 GWh inicialmente previstos.

Madri, 4 out (Xinhua) -- A Espanha fabrica mais de 2 milhões de veículos por ano, sendo a segunda maior produtora de veículos da Europa, mas muitas decisões que moldam sua indústria automotiva são tomadas no exterior. Com a Volkswagen considerando a possível descontinuação de sua marca espanhola SEAT após 2030, uma nova parceria de baterias com a chinesa Gotion High-Tech destaca os esforços da Espanha para garantir seu lugar na cadeia de valor de veículos elétricos.

O Grupo Volkswagen, sua divisão de baterias PowerCo e a Gotion anunciaram em 28 de setembro que a Gotion investirá cerca de 1,1 bilhão de euros (1,29 bilhão de dólares americanos) para assumir uma participação de 49% na fábrica de células de bateria da PowerCo em Sagunto, no leste da Espanha. A PowerCo manterá uma participação de 51%; o empreendimento será gerido em conjunto, com previsão de início das operações em 2027.

José Díez, segundo vice-presidente do governo regional de Valência, disse que a parceria combinará "experiência industrial e conhecimento tecnológico" para tornar o projeto mais competitivo.

UMA POTÊNCIA COM CONTROLE LIMITADO

A Espanha possui um vasto ecossistema de fabricação automotiva que abrange fábricas de montagem, fabricantes de componentes e uma rede de fornecedores. Segundo o ICEX, a agência estatal espanhola de exportação e investimentos, nove grupos multinacionais operam 18 fábricas de montagem de veículos e de produção de componentes no país. O setor automotivo como um todo responde por cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 16% das exportações de mercadorias.

No entanto, grande parte dessa força industrial está concentrada em grupos multinacionais, deixando a Espanha exposta a decisões de investimento e produção tomadas no exterior.

A espanhola Ebro-EV Motors e a chinesa Chery Automobile celebram o início da produção de veículos em sua joint venture, a Fábrica Ebro, localizada na Zona Franca de Barcelona, ​​Espanha, em 23 de novembro de 2024. (Foto de Joan Gosa/Xinhua)

A incerteza em torno da SEAT colocou essa vulnerabilidade em evidência. Em setembro, a Volkswagen disse que normas mais rígidas de emissão de CO2, os custos de eletrificação e os investimentos necessários para uma nova geração de modelos elétricos estavam tornando cada vez mais difícil realizar novos investimentos na marca. As opções da Volkswagen para o período pós-2030 incluem uma descontinuação gradual.

O anúncio gerou preocupações na Espanha. O jornal espanhol El País noticiou que o impacto econômico direto e indireto da SEAT é estimado em cerca de 4% do PIB da Catalunha e 3% do emprego na região.

Matías Carnero, presidente do comitê de empresa da SEAT e atualmente membro do conselho de supervisão da Volkswagen, alertou contra a possibilidade de a SEAT se tornar "uma mera fábrica de montagem". Ele declarou ao jornal catalão La Vanguardia que a SEAT ainda mantém atividades que abrangem design, produção e vendas. "A cadeia de valor como um todo que importa", disse ele.

POR QUE A TECNOLOGIA CHINESA É IMPORTANTE

A eletrificação está mudando os fatores que conferem vantagem competitiva às fabricantes de automóveis.

"Não se trata mais apenas de quem fabrica melhor, mas de quem controla as baterias, o software, os custos e a velocidade da inovação", disse Xavier Ferré, sócio responsável pelo setor automotivo e de transportes da EY Espanha, ao veículo de imprensa local La Vanguardia.

As baterias ilustram essa mudança. Segundo a Volkswagen, a Europa ainda carece de capacidade significativa de produção em escala industrial de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), uma tecnologia cada vez mais utilizada em veículos elétricos de baixo custo voltados ao mercado de massa. A Gotion traz experiência consolidada em tecnologia LFP e na fabricação em larga escala.

A nova parceria visa transformar Sagunto em um polo europeu de produção de células unificadas à base de LFP. A primeira fase da fábrica prevê agora uma capacidade anual de até 30 GWh, 50% acima dos 20 GWh inicialmente planejados.

As células são destinadas a abastecer a rede de produção de veículos elétricos do Grupo Volkswagen na Espanha, incluindo modelos elétricos compactos montados na fábrica da SEAT em Martorell, na Catalunha, e na unidade da Volkswagen em Navarra.

O presidente regional de Aragão, Jorge Azcón (esquerda), coloca um exemplar da edição do dia do jornal Heraldo de Aragón em uma cápsula do tempo na cerimônia de início das obras em Saragoça, Espanha, em 26 de novembro de 2025. Uma joint venture entre a chinesa CATL e a montadora multinacional Stellantis iniciou, na terça-feira, as obras de uma grande fábrica de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) na região de Aragão, no nordeste da Espanha, marcando um dos maiores investimentos industriais chineses no país. (Xinhua/Meng Dingbo)

Outro grande projeto ganha forma em Saragoça, onde a Stellantis e a chinesa CATL estão investindo até 4,1 bilhões de euros (4,62 bilhões de dólares) em uma joint venture com participação de 50% para cada parte para construir uma fábrica de baterias LFP, com capacidade de até 50 GWh. A construção começou em 2025, e o início da produção está previsto para o final de 2026.

Esses projetos podem ajudar a Espanha a consolidar a fabricação de baterias juntamente com a montagem de veículos, fortalecendo sua posição à medida que a produção migra para modelos elétricos.

DA CONCORRÊNCIA À COOPERAÇÃO INDUSTRIAL

As parcerias da Espanha com empresas chinesas vão além das baterias. A Chery firmou parceria com a marca espanhola Ebro para retomar a produção na antiga fábrica da Nissan em Barcelona. A Ford e a Geely concordaram em formar uma joint venture envolvendo a fábrica de Almussafes, em Valência, pendente de aprovação regulatória. A Stellantis também está aprofundando a cooperação industrial com a Leapmotor, com produção planejada em Saragoça.

Essas alianças oferecem meios de manter fábricas e redes de fornecedores em atividade, ao mesmo tempo em que atraem novas tecnologias e investimentos.

O investimento em baterias está impulsionando a localização de etapas anteriores da cadeia produtiva. Outro projeto da Gotion em Valladolid inclui a produção de cátodos e a reciclagem avançada de baterias, agregando atividades que vão além da simples montagem de veículos. Quando o projeto foi anunciado, em julho, o governo espanhol o descreveu como uma "oportunidade histórica" ​​para fortalecer a base industrial de veículos elétricos do país, com a previsão de criação de milhares de empregos.

Josep Maria Vall, presidente do Cluster da Indústria Automotiva da Catalunha (CIAC), disse que a tradição industrial da Espanha e a experiência de seus fabricantes de componentes conferem ao país a capacidade de integrar fabricantes chineses ao seu ecossistema industrial. O gerente do CIAC, Josep Nadal, disse que maiores investimentos e alianças industriais poderiam ajudar a Europa a "reter a cadeia de valor".

Um funcionário trabalha em uma fábrica da Ford em Valência, Espanha, em 23 de julho de 2026. A Geely Automobile Holdings e a Ford Motor Company anunciaram, na quinta-feira, um acordo para produzir veículos de nova energia para o mercado europeu na fábrica da Ford em Valência, Espanha. (Foto de Pablo Morano/Xinhua)

Pablo Sanz, professor da Universidade Nacional de Educação a Distância da Espanha, disse à Xinhua que as marcas chinesas estão pressionando as empresas europeias a melhorar a qualidade, acelerar a inovação e aumentar a eficiência. "A Espanha e a Europa precisam das marcas chinesas para acelerar a inovação", disse ele.

Jaume Roura, presidente da Fecavem, associação de concessionárias de veículos da Catalunha, disse à Xinhua que a cooperação deve trazer benefícios para ambas as partes. "Devemos garantir que todos se beneficiem e, acima de tudo, que a indústria e os empregos sejam preservados", disse ele.

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