
Um navio porta-contêineres da chinesa COSCO Shipping atraca em um novo terminal de contêineres do Porto de Long Beach, na Califórnia, nos Estados Unidos, em 20 de agosto de 2021. (Xinhua/Gao Shan)
Por Julia Pierrepont III e Gao Shan
Los Angeles, 3 out (Xinhua) -- Com a China respondendo por cerca de 55% do comércio no Porto de Long Beach e aproximadamente 40% das operações no vizinho Porto de Los Angeles, relações estáveis entre Washington e Beijing não são apenas uma questão diplomática abstrata para os dois portos de contêineres mais movimentados dos Estados Unidos.
Essa profunda ligação comercial significa que mudanças nas relações entre EUA e China podem repercutir rapidamente nos fluxos de carga, empregos, cadeias de suprimentos voltadas ao consumidor e investimentos em todo o sul da Califórnia, segundo os dirigentes dos dois portos.
"Relações estáveis e construtivas entre os Estados Unidos e a China são importantes para a economia global, para consumidores e empresas americanas e para a confiabilidade das cadeias de suprimentos internacionais", disse à Xinhua Noel Hacegaba, CEO do Porto de Long Beach.
Os dois portos, situados lado a lado na Baía de San Pedro, formam a maior porta de entrada de contêineres dos Estados Unidos e sustentam uma vasta rede logística que envolve trabalhadores portuários, caminhoneiros, armazéns, ferrovias, varejistas e exportadores.
A China tem sido a maior parceira comercial de Long Beach em volume de carga há décadas e agora responde por cerca de 55% das importações e exportações do porto, disse Hacegaba.
Ele descreveu Long Beach como "um elo vital no corredor comercial do Pacífico", conectando fabricantes e exportadores chineses a consumidores, empresas e redes de distribuição dos EUA, ao mesmo tempo em que serve como porta de saída para produtos da Califórnia destinados à China.

Caminhões aguardam para carregar contêineres no Porto de Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos, em 22 de outubro de 2021. (Xinhua)
No Porto de Los Angeles, os laços com a China são igualmente profundos. Gene Seroka, diretor-executivo do porto, disse que a China responde por aproximadamente 40% de suas operações, uma participação mais de duas vezes e meia maior que a do segundo maior parceiro comercial.
"A China continua sendo um parceiro comercial de importância crítica para o Porto de Los Angeles, e nossas relações de longa data com portos chineses abriram caminho para uma cooperação que vai muito além da movimentação de cargas", disse Seroka.
O comércio com a China permanece central para ambos os portos. Uma relação bilateral mais estável ajudaria a proteger os fluxos de carga, os empregos e as cadeias de suprimentos voltadas ao consumidor. A China também é um dos principais mercados de exportação para produtos da Califórnia, observou Hacegaba.
Além dos volumes de carga, os portos estão ampliando a cooperação com suas contrapartes chinesas em áreas que incluem transporte marítimo mais limpo, digitalização e resiliência da cadeia de suprimentos.
Seroka citou a cooperação com os portos de Shanghai, Guangzhou e, mais recentemente, Shenzhen em iniciativas de corredores de transporte marítimo verde e outras iniciativas voltadas para a redução de emissões e para tornar o comércio global mais eficiente e resiliente.
"Essas parcerias entre portos são um bom exemplo de como a cooperação prática pode gerar benefícios significativos para ambos os lados do Pacífico", disse ele.
Considerando que o Porto de Los Angeles movimenta mais de 10 milhões de unidades equivalentes a vinte pés (TEUs) anualmente, enquanto o Porto de Long Beach processou um recorde de 9,9 milhões de TEUs em 2025, a escala dos dois portos ressalta a importância econômica mais ampla.
Juntos, eles movimentaram cerca de 31% do comércio internacional de contêineres por via marítima dos EUA em 2025 e sustentam 2,4 milhões de empregos em todo o país.

