Destaque: Experiência chinesa em apicultura abre novas oportunidades para mulheres quenianas-Xinhua

Destaque: Experiência chinesa em apicultura abre novas oportunidades para mulheres quenianas

2026-10-08 09:39:21丨portuguese.xinhuanet.com

Uma integrante do grupo de mulheres Lelkolo verifica colmeias no condado de Baringo, no Quênia, em 15 de setembro de 2026. (Xinhua/Liu Qiong)

Nairóbi, 6 out (Xinhua) -- Grace Cheserem, líder do grupo de mulheres Lelkolo, no condado de Baringo, no Quênia, ainda se lembra de sua primeira colheita de mel em 2022.

Usando um véu de proteção, ela abriu cuidadosamente uma colmeia, ouvindo pouco mais do que a própria respiração enquanto retirava o primeiro favo. O mel dourado brilhava sob a luz do sol, arrancando aplausos e gritos de alegria das mulheres reunidas ao seu redor.

Nas comunidades locais, a apicultura era vista há muito tempo como um trabalho masculino. As colmeias tradicionais eram frequentemente colocadas no alto das árvores, tornando a colheita do mel uma tarefa fisicamente exigente, ao passo que a atividade apícola era considerada um tabu para as mulheres.

Hoje, o grupo de mulheres, composto por 21 integrantes, aprendeu a manejar as colmeias e a realizar a colheita do mel por conta própria, além de ter começado a administrar seu próprio negócio de produção de mel.

Em 2025, o grupo colheu 612 kg de mel e obteve cerca de 500.000 xelins quenianos (aproximadamente 3.850 dólares americanos) com as vendas.

Por trás dessa mudança está a agente de extensão agrícola Aholipama Chelagat Rutto, que trouxe para a comunidade local técnicas de apicultura aprendidas na China.

Em 2017, Rutto viajou para Changsha, uma cidade no centro da China, para participar de um programa de treinamento sobre apicultura e aumento da produtividade de culturas oleaginosas, organizado pelo Ministério do Comércio da China e realizado por uma instituição local de ciência e tecnologia agrícola.

Antes da viagem, o conhecimento de Rutto sobre apicultura era essencialmente teórico. "Aprendi algumas coisas na escola, como a história, o ciclo de vida e o comportamento das abelhas, mas não havia aprendido a fundo as técnicas de produção apícola", disse ela.

Na China, ela recebeu treinamento sistemático em construção de apiários, criação de colônias e manejo de colmeias, além de aprender técnicas de controle de pragas e doenças, avaliação da maturação do mel e extração do mel.

Uma técnica que a impressionou particularmente foi a divisão artificial de colônias. "Antes, os apicultores no Quênia geralmente apenas colocavam uma colmeia lá e esperavam que as abelhas se instalassem", disse ela. "Na China, aprendi a dividir ativamente uma colônia em várias".

Após retornar ao Quênia, Rutto começou a compartilhar o que havia aprendido com as mulheres da região. "Eu queria que elas adquirissem mais habilidades e se tornassem economicamente independentes", disse ela.

Em Baringo, onde as mulheres frequentemente assumem responsabilidades como buscar água, realizar tarefas domésticas e cuidar dos filhos, Rutto viu na apicultura uma opção prática para obter renda extra. "Exige relativamente pouco tempo no dia a dia e pode gerar renda", disse ela.

Rutto começou a promover colmeias modernas, incluindo as do tipo Langstroth, juntamente com roupas de proteção e ferramentas especializadas.

Em comparação com as colmeias tradicionais, o equipamento reduziu as barreiras para a apicultura e a colheita de mel. As colmeias Langstroth podiam ser posicionadas mais perto do chão, enquanto as roupas de proteção e as ferramentas especializadas permitiam que as mulheres realizassem gradualmente todo o processo por conta própria, desde a inspeção das colônias até a colheita do mel, segundo Rutto.

À medida que as mulheres dominavam as técnicas de apicultura, mudanças também começaram a ocorrer em seus lares.

"Quando os homens viram que éramos realmente capazes de realizar o trabalho, eles também aceitaram isso", disse Cheserem. "Agora, meu marido e eu podemos dividir as responsabilidades domésticas".

"Usamos o dinheiro da venda do mel para comprar animais, como galinhas e cabras, e para complementar as despesas da casa", acrescentou Cheserem.

Para ela, a mudança mais importante é que ela não se preocupa mais tanto em pagar as mensalidades escolares dos filhos. Agora, ela possui 10 colmeias e começou a administrar seu próprio apiário.

Para as mulheres da região, a apicultura também tem proporcionado uma fonte alternativa de renda, à medida que o cultivo agrícola se torna cada vez mais incerto.

Faith Kittony, secretária do grupo de mulheres, disse que a seca afetou severamente algumas áreas da região neste ano, causando grandes perdas em culturas como milho e feijão.

"Sem a renda da apicultura, nossas vidas seriam muito difíceis", disse Kittony, acrescentando que a atividade se tornou um recurso seguro diante das incertezas climáticas.

Com a expansão das atividades apícolas, o grupo abriu uma loja para vender seu próprio mel e lançou uma marca própria, atraindo moradores de aldeias vizinhas interessados ​​em aprender com a experiência delas.

"Pessoas de aldeias próximas vêm nos perguntar como conseguimos e como podem começar na apicultura", contou Kittony.

Agora, Rutto está apresentando ao grupo a ideia de processamento de mel com valor agregado, incentivando as mulheres a irem além da venda de mel bruto e a explorarem outros produtos derivados das abelhas.

"No próximo ano, pretendo treiná-las para produzir outros itens, como loção corporal, hidratante labial e produtos à base de cera de abelha", disse ela.

Rutto continua aplicando e compartilhando o conhecimento que adquiriu durante seu treinamento na China. Até o momento, ela transmitiu as técnicas de apicultura a cerca de 84 grupos de apicultores do condado.

Refletindo sua trajetória, Rutto disse que sua maior conquista foi poder compartilhar o conhecimento adquirido na China com mais pessoas.

"Se eu guardar o conhecimento só para mim, seu valor será muito limitado. O conhecimento se torna verdadeiramente valioso quando compartilhado com os outros", acrescentou ela.

Integrantes do grupo de mulheres Lelkolo cantam na base de apicultura no condado de Baringo, Quênia, em 15 de setembro de 2026. (Xinhua/Liu Qiong)

Uma integrante do grupo de mulheres Lelkolo exibe mel no condado de Baringo, Quênia, em 15 de setembro de 2026. (Xinhua/Liu Qiong)

Integrantes do grupo de mulheres Lelkolo extraem mel no condado de Baringo, Quênia, em 15 de setembro de 2026. (Xinhua/Liu Qiong)

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