(Multimídia) "Economia solo" surge na China com mais chineses escolhendo morar e viajar sozinhos-Xinhua

(Multimídia) "Economia solo" surge na China com mais chineses escolhendo morar e viajar sozinhos

2026-10-14 12:44:15丨portuguese.xinhuanet.com
Mulher leva seu cachorro de estimação para participar de um evento temático sobre animais de estimação em Yinchuan, Região Autônoma da Etnia Hui de Ningxia, no noroeste da China, em 26 de setembro. (Xinhua/Yang Zhisen)

   Beijing, 14 out (Xinhua) -- Xia Xiaosen, criadora de conteúdo e moradora de Dalian, Província de Liaoning, no nordeste da China, mora sozinha com seu gato. Em vez de fazer compras em grandes quantidades como antes, agora ela prefere escolher produtos de quantidades menores, mas de qualidade superior.

   "Não preciso de grandes quantidades. Prefiro comida fresca e de alta qualidade que se adapte ao meu ritmo. É isso que a economia solo significa para mim: comprar menos, mas melhor", disse Xia.

   Aparelhos domésticos inteligentes também se tornaram essenciais em sua rotina diária. Um aspirador robô, uma lava-louças e dispositivos automatizados para cuidar de animais de estimação a ajudam a administrar as tarefas domésticas com mais eficiência.

   A ascensão do estilo de vida solo também se reflete na forma como os jovens viajam. Xue Xue, graduada em uma universidade chinesa e com mestrado no Reino Unido, passou boa parte do último ano e meio viajando sozinha pela China.

   Segundo Xue, viajar sozinha permite que ela se concentre totalmente em suas próprias necessidades e emoções, sem acomodar outras pessoas. "Senti uma sensação de liberdade e vitalidade que não experimentava há muito tempo. Aquele momento pareceu ser o meu verdadeiro eu", manifestou ela.

   Um número crescente de jovens chineses está optando por morar sozinho ou viajar de forma independente, dando origem à "economia solo", centrada no consumo individual. Dados do Ministério dos Assuntos Civis da China mostram que o número de registros de casamento caiu de 13,47 milhões de casais em 2013 para 6,76 milhões em 2025. As estatísticas da pasta para o primeiro trimestre de 2026 registraram 1,697 milhão de registros, queda de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

   O relatório Nova Era da Vida em Solitário, do Instituto de Pesquisa Beike, estima que a população que vive sozinha na China atingiu 123 milhões em 2024 e deve aumentar para 150 a 200 milhões até 2030.

   À medida que as empresas adaptam cada vez mais produtos e serviços a consumidores individuais, maior autonomia e praticidade vêm acompanhadas de custos mais altos.

   Wu Yifei, gerente de marketing de um centro comercial em Xiamen, Província de Fujian, no leste da China, disse que o centro comercial já começou a prestar muita atenção à economia solo em 2024. "Mudamos de tratar o consumo solo como uma demanda de nicho para torná-lo parte do nosso plano de negócios geral", acrescentou ela.

   Um novo supermercado lançado pelo centro comercial ampliou sua linha de alimentos frescos em porções individuais, refeições prontas para consumo, mantimentos em embalagens pequenas, produtos de beleza e produtos para animais de estimação. As áreas de refeição e as seções de comida para levar também foram redesenhadas para atender melhor aos clientes que fazem compras ou comem sozinhos.

   Depois de redesenhar suas seções de comida pronta para consumo e de porções individuais, as vendas gerais nessas categorias aumentaram seis vezes, indicou Wu.

   Ela disse que embalagens menores costumam ter preços unitários mais altos por causa de custos adicionais de mão de obra, embalagem e controle de frescor. Para tornar os preços mais aceitáveis, o supermercado introduziu preços escalonados, incluindo produtos de entrada, como porções individuais de carne mais baratas, ao lado de opções premium.

   Segundo Wu, a adaptação à economia solo trouxe desafios operacionais. Porções menores exigem gestão de estoque mais precisa e há maior pressão para reduzir desperdício.

   "Muitos produtos e serviços ainda são projetados para o consumo familiar ou em grupo, e os varejistas ainda estão ajustando seus produtos, preços e cadeias de suprimentos para atender melhor os consumidores solo", disse ela.

   O consumo solo pode ser mais caro; no entanto, a estrutura de custos é mais complexa do que parece, observou Zuo Si, professora assistente da Faculdade Antai de Economia e Administração da Universidade Jiao Tong de Shanghai.

   Ela analisou que o principal desafio é o descompasso entre oferta e demanda. "Os consumidores ainda não encontraram totalmente produtos adequados, e os produtores ainda estão se ajustando a esse novo padrão de consumo", disse ela.

   Segundo Xue, o alojamento e a refeição são mais caros para consumidores individuais, pois ela prefere hotéis e não pode dividir custos, e não é possível obter descontos como fazer refeições em grupo. "Em muitos lugares, especialmente em cidades menores, não há lugares que ofereçam pratos com porções individuais, então muitas vezes acabo pagando mais se quero experimentar pratos diferentes", disse ela.

   Zuo prevê que a economia solo continuará a remodelar o design de produtos e os modelos de serviço, com maior ênfase na praticidade, rapidez e consumo baseado em contexto. Plataformas digitais estão cada vez mais capazes de usar algoritmos de recomendação para combinar melhor necessidades individuais com produtos, acrescentou.

   "Fabricantes e consumidores ainda estão se encontrando, mas a demanda é real e crescente", apontou Zuo.

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