
Uma formação de drones retrata um elefante e um panda em um show de luzes com drones em Gaborone, Botsuana, em 8 de setembro de 2026. (Xinhua/Tshekiso Tebalo)
Por Guo Chunju
Gaborone, 11 out (Xinhua) -- O presidente de Botsuana, Duma Gideon Boko, está realizando uma visita de Estado à China de 12 a 17 de outubro, a convite do presidente chinês Xi Jinping, em um momento em que os dois países buscam aprofundar a cooperação em comércio, investimentos e intercâmbios interpessoais.
Em janeiro de 2025, Xi e Boko trocaram cumprimentos pelo 50º aniversário das relações diplomáticas, expressando confiança nas perspectivas de uma cooperação mais estreita. Em setembro de 2024, os dois países elevaram suas relações bilaterais ao nível de parceria estratégica. Além desses marcos diplomáticos, a cooperação entre ambos os países tem se materializado em projetos que abrangem desde energia e mineração até educação e saúde.
MELHORANDO AS CONDIÇÕES DE VIDA LOCAIS
As empresas com investimentos chineses mantêm uma cooperação constante com Botsuana há anos, atuando em áreas como infraestrutura, energia e mineração, e trazendo benefícios tangíveis para as comunidades locais.
Projetos de infraestrutura hídrica ajudaram a melhorar o acesso a serviços essenciais em todo Botsuana. A Represa Thune, construída por empresas chinesas, fornece água para uso doméstico e agrícola, com seus recursos hídricos integrados ao sistema de transferência de água Norte-Sul do país. Outros projetos, incluindo obras de abastecimento de água e saneamento em Maun e na região de Boteti, também estão contribuindo para a melhoria dos serviços locais de água.
Paralelamente, o Centro de Dados Digital Delta está fortalecendo a infraestrutura digital de Botsuana e apoiando o crescimento de sua economia digital.
A cooperação nos setores de energia e mineração está criando novas oportunidades de desenvolvimento. O projeto da Usina de Energia Solar de Jwaneng, com capacidade de 100 MW, iniciou oficialmente suas operações, ajudando a aliviar a escassez de eletricidade em Botsuana e a fortalecer a segurança energética do país. Paralelamente, espera-se que o Projeto de Expansão da Mina de Cobre de Khoemacau impulsione a produção e gere oportunidades de emprego.
A criação do Centro de Excelência em Mineração na Faculdade Técnica de Maun, com o apoio do Ministério do Ensino Superior de Botsuana, também ajuda a preparar os jovens com habilidades práticas adaptadas às necessidades da indústria de mineração, vinculando mais estreitamente a formação profissional ao mercado de trabalho local.
Além do desenvolvimento econômico, a cooperação se estendeu também às áreas de saúde e educação. O hospital universitário da Faculdade de Medicina da Universidade de Botsuana, em Gaborone, apoia o atendimento médico e a formação profissional, enquanto quatro escolas de ensino fundamental construídas com o apoio da China melhoraram as condições de aprendizado para as crianças locais, contribuindo para o desenvolvimento do sistema de educação básica de Botsuana.

Estudantes aproveitam o tempo de lazer após as aulas na Escola Primária de Mmopane, construída com apoio da China, em Mmopane, distrito de Kweneng, Botsuana, em 4 de novembro de 2024. (Xinhua/Han Xu)
EXPANDINDO O COMÉRCIO, APROFUNDANDO A COOPERAÇÃO
A cooperação econômica e comercial entre a China e Botsuana é mutuamente benéfica e apresenta amplas perspectivas. Viagens de negócios e interações bilaterais se tornaram cada vez mais frequentes, com um intercâmbio contínuo entre as duas partes.
A partir de 1º de maio deste ano, a China estendeu o tratamento de tarifa zero a todos os 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, trazendo benefícios significativos para produtos de alta qualidade de Botsuana, como carne bovina e frutas cítricas. "Essa iniciativa importante abre novas oportunidades para Botsuana expandir suas exportações, fortalecer o comércio e aprofundar nossa cooperação econômica com a China", disse Moeti Mohwasa, ministro da Presidência, Defesa e Segurança de Botsuana.
O comércio bilateral entre a China e Botsuana atingiu 1,222 bilhão de dólares americanos em 2025, um aumento de 21,3% em relação ao ano anterior, e cresceu 58,6%, chegando a 852 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo estatísticas oficiais.
Em janeiro de 2021, os dois países assinaram um Memorando de Entendimento (MoU, na sigla em inglês) para cooperação na Iniciativa Cinturão e Rota, tornande Botsuana o 46º país parceiro africano a aderir à iniciativa.
Em 2025, os dois países assinaram um MoU sobre a promoção da implementação da Iniciativa de Desenvolvimento Global, e Botsuana aderiu à Iniciativa sobre a Estrutura de Cooperação Econômica e de Comércio Internacional para a Economia Digital e o Desenvolvimento Verde. Esses acordos bilaterais oferecem novas oportunidades, ampliam a cooperação para novos setores e abrem novas perspectivas para a cooperação prática entre China e Botsuana.

O embaixador da China em Botsuana, Fan Yong (2º à direita), e o vice-presidente e ministro das Finanças de Botsuana, Ndaba Gaolathe (2º à esquerda), assinam um acordo de cooperação econômica e técnica entre os dois governos em Gaborone, Botsuana, em 27 de fevereiro de 2025. (Foto de Tshekiso Tebalo/Xinhua)
Muitas delegações empresariais chinesas visitaram Botsuana para buscar oportunidades de mercado, enquanto autoridades e representantes de think tanks de Botsuana elogiaram as conquistas da modernização chinesa após visitas à China.
Ao considerar a China uma "amiga constante e uma parceira de desenvolvimento confiável", Botsuana busca aprender com as conquistas chinesas na melhoria dos padrões de vida da população e na redução da pobreza, enquanto o país da África Austral segue sua própria agenda de desenvolvimento, buscando investimentos, parcerias e o alinhamento de estratégias de desenvolvimento.
APROXIMANDO AS PESSOAS
Os intercâmbios interpessoais aproximaram as duas nações por meio de atividades culturais, educacionais e comunitárias, incluindo competições como a "Ponte Chinesa", festivais de cinema e programas de assistência médica realizados por equipes da China.
Os Institutos Confúcio da Universidade de Botsuana, em Gaborone, e da Universidade Internacional de Ciência e Tecnologia de Botsuana (BIUST, na sigla em inglês), em Palapye, na região central do país, desenvolvem programas voltados para o ensino da língua chinesa e o intercâmbio cultural.
"Ao aprenderem a língua chinesa, nossos estudantes adquirem uma chave para acessar oportunidades em um mundo que se globaliza rapidamente", disse o vice-reitor da BIUST, Otlogetswe Totolo, descrevendo o instituto como uma plataforma para intercâmbio cultural, colaboração acadêmica e o estreitamento dos laços de amizade entre Botsuana e China.
A crescente popularidade da língua e da cultura chinesas entre a população de Botsuana tem ajudado a fortalecer os laços interpessoais e a aprofundar a amizade bilateral, ao mesmo tempo em que mais cidadãos de Botsuana anseiam por oportunidades de visitar a China.
"A relação entre Botsuana e China vem se desenvolvendo de forma constante há muitas décadas, promovendo uma cooperação duradoura baseada em interesses mútuo", disse o ministro das Relações Internacionais de Botsuana, Phenyo Butale.
Ao longo dos anos, a parceria bilateral no setor de saúde vem prosperando continuamente. Desde 1981, 18 equipes sucessivas de profissionais de saúde chineses, reunindo mais de 600 especialistas ao todo, percorreram milhares de quilômetros para atuar em Botsuana. Eles se tornaram parte integrante do sistema de saúde do país, oferecendo atendimento médico especializado às comunidades locais e fortalecendo a cooperação bilateral.

Luo Jinying (à direita), obstetra-chefe da 17ª equipe médica chinesa enviada a Botsuana, realiza um exame de ultrassom com Doppler em uma gestante no Hospital Princess Marina, em Gaborone, Botsuana, em 5 de maio de 2026. (Xinhua/Yang Guang)
"A dedicação deles melhorou significativamente o acesso a cuidados de saúde especializados, elevou a qualidade dos serviços médicos, fortaleceu a capacidade do nosso sistema de saúde e contribuiu, em última análise, para melhorar as condições de saúde da população", disse Tshepo Machacha, secretário permanente interino do Ministério da Saúde de Botsuana.
O próprio Machacha já recebeu tratamento de acupuntura tradicional chinesa. Ele disse que a medicina tradicional chinesa enriqueceu o sistema de saúde de Botsuana.
"Isso serve como uma demonstração prática de como o intercâmbio cultural e a cooperação médica podem melhorar diretamente o atendimento aos pacientes, ao mesmo tempo em que aprofundam a compreensão mútua na área médica entre as duas nações", disse ele.

