
Um comerciante seleciona produtos natalinos no Mercado Internacional de Comércio de Yiwu, em Yiwu, província de Zhejiang, no leste da China, em 17 de dezembro de 2025. (Xinhua/Liu Mingxiang)
*Na oitava rodada de consultas econômicas e comerciais, realizada entre 20 e 23 de setembro, a China e os Estados Unidos chegaram a um acordo sobre listas de produtos para reduções tarifárias recíprocas, totalizando 30 bilhões de dólares americanos. Os Estados Unidos reduzirão as tarifas sobre importações chinesas, incluindo brinquedos, eletrodomésticos, produtos para bebês, artigos para cozinha e banheiro e presentes para as festas de fim de ano.
*Em diversos polos industriais e comerciais da China, exportadores já relatam uma demanda mais forte por parte de clientes americanos.
*Para as empresas que resistiram aos aumentos tarifários do ano passado, o reaquecimento da demanda nos EUA é bem-vindo, mas isso é apenas parte da história. Desde a busca por clientes em novos mercados até a renovação do apelo de produtos tradicionais, os exportadores chineses estão encontrando maneiras de lidar com a incerteza comercial.
Hangzhou/Guangzhou, 16 out (Xinhua) -- Ainda faltam mais de dois meses para o Natal, mas Gong Yongqiang já está se preparando para o próximo ano. Transitando entre sua loja, fábrica e armazém, o comerciante de Yiwu verifica os estoques de matérias-primas e desenvolve novas decorações festivas.
Sua loja no "supermercado do mundo", Yiwu, na província de Zhejiang, no leste da China, está repleta de bonecos de Papai Noel em diversos estilos e tamanhos, que em dezembro estarão decorando lareiras por todos os Estados Unidos.
Um recente acordo tarifário entre a China e os EUA deu a ele um novo motivo para olhar para o futuro com confiança. Na oitava rodada de consultas econômicas e comerciais, realizada entre 20 e 23 de setembro, a China e os Estados Unidos chegaram a um acordo sobre listas de produtos para reduções tarifárias recíprocas, totalizando 30 bilhões de dólares americanos. Os Estados Unidos reduzirão as tarifas sobre importações chinesas, incluindo brinquedos, eletrodomésticos, produtos para bebês, artigos para cozinha e banheiro e presentes para as festas de fim de ano.
"Acompanhei os desdobramentos desde o anúncio do consenso", disse Gong. "É, sem dúvida, um sinal positivo para o comércio exterior de ambos os lados".
Harley Seyedin, presidente da Câmara de Comércio Americana no Sul da China, disse que o consenso envia uma mensagem forte aos mercados e investidores, ajudando as empresas a ganharem confiança para investir, expandir e criar empregos em ambos os lados do Pacífico.
"A previsibilidade é vital para os negócios", disse Seyedin.
Luo Zhiheng, economista-chefe da Yuekai Securities, observou que as reduções tarifárias indicam um abrandamento nas relações comerciais, embora o impacto sobre a carga tarifária total imposta pelos EUA aos produtos chineses ainda seja limitado. A importância dessa medida está, na verdade, na criação de margem para reduzir tarifas sobre alguns produtos não sensíveis e na sinalização da direção das políticas futuras.

Uma vendedora grava um vídeo de apresentação de produtos em sua loja no Mercado Internacional de Comércio de Yiwu, na província de Zhejiang, no leste da China, em 20 de maio de 2025. (Xinhua/Han Chuanhao)
AUMENTO NOS PEDIDOS DOS EUA
Nos polos industriais e comerciais da China, os exportadores já relatam uma demanda mais forte por parte de clientes americanos.
Em sua loja de 15 metros quadrados no Mercado Internacional de Comércio de Yiwu, Nie Ziqin cobriu as paredes com decorações de Halloween, de aranhas iluminadas e lanternas em formato de abóbora a máscaras de terror, oferecendo praticamente tudo o que uma família americana precisa para a data.
"Este é o produto mais vendido deste ano. Um cliente encomendou centenas de milhares de unidades", disse ela, exibindo uma aranha que acende. Sua fábrica está fazendo horas extras para atender aos pedidos do comércio eletrônico transfronteiriço, enviando mercadorias para armazéns nos Estados Unidos.
"Muitos clientes americanos estão otimistas em relação à cooperação econômica e comercial entre a China e os EUA", disse Nie. "Todos desejam benefícios mútuos e resultados vantajosos para ambos os lados".
Espera-se que o crescimento de seus pedidos continue, dando seguimento a uma tendência que surgiu mesmo antes das negociações de setembro. Seus pedidos de exportação para os EUA aumentaram 20% nos primeiros oito meses de 2026, em comparação com igual período do ano anterior, com os compradores americanos fazendo pedidos mais cedo do que o habitual.
Como o maior polo mundial de artigos natalinos, Yiwu abastece quase 80% do mercado global e envia mais de 20 mil variedades de produtos para 178 países e regiões a cada ano. Os Estados Unidos continuam sendo um mercado importante para a cidade. As exportações da cidade para os Estados Unidos atingiram 104,51 bilhões de yuans (cerca de 15,55 bilhões de dólares) em 2025, um salto de 25,1% em relação ao ano anterior.

Visitantes observam uma apresentação de cães robóticos na 24ª edição da Feira Internacional de Brinquedos e Presentes de Shantou-Chenghai, em Shantou, na província de Guangdong, no sul da China, em 23 de outubro de 2025. (Xinhua/Xiao Ennan)
Mais ao sul, fabricantes de brinquedos e presentes no distrito de Chenghai, conhecido como a "capital dos brinquedos" da China, na cidade de Shantou, província de Guangdong, estão observando mudanças nos pedidos e nas negociações de preços. Com uma área de menos de 400 km², Chenghai é responsável por mais da metade da produção chinesa de brinquedos de plástico e por cerca de um terço da produção global.
"Quando as tarifas diminuem, os custos para os compradores caem, o que abre mais margem para ambas as partes. A negociação de preços tornou-se menos difícil", disse Guo Bo, gerente-geral da Guangdong YiYu Craft & Hardware Electrical Factory Co., Ltd., fornecedora de bonecos de Papai Noel, bonecos de neve e renas de pelúcia. Guo espera que o volume de pedidos aumente entre 10% e 20% este ano.
Qiu Zhihong, presidente da Shantou Dave Plastic Toys Co., Ltd., também relatou uma melhora recente. Sua empresa fabrica produtos licenciados para a Disney e a Universal Studios, sendo que as exportações para os Estados Unidos representam de 30% a 40% de suas exportações.
Um cliente americano que anteriormente encomendava 100 contêineres agora está solicitando 120, disse Qiu.

Visitantes na 24ª edição da Feira Internacional de Brinquedos e Presentes de Shantou-Chenghai, em Shantou, província de Guangdong, no sul da China, em 23 de outubro de 2025. (Xinhua/Xiao Ennan)
DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADOS E INOVAÇÃO DE PRODUTOS
Para as empresas que resistiram aos aumentos tarifários do ano passado, a retomada da demanda nos EUA é bem-vinda, mas representa apenas parte do cenário. Desde a busca por clientes em novos mercados até a renovação do apelo de produtos tradicionais, os exportadores chineses estão encontrando maneiras de lidar com a incerteza comercial.
Em Yiwu, Gong Yongqiang aprendeu a não depender excessivamente de um único mercado. Após os aumentos tarifários, a participação dos EUA em suas vendas caiu de um pico de cerca de um quarto para aproximadamente 10%. No entanto, pedidos do Brasil, da Colômbia e do Chile ajudaram a suprir essa lacuna, expandindo sua base de clientes para mais de 30 países e regiões.
Ele também está criando novos produtos. Este ano, Gong lançou mais de 100 novos modelos, acrescentando som e movimento às figuras natalinas tradicionalmente estáticas. Esses recursos costumam elevar as margens de lucro em mais de 10%, segundo ele. Atualmente, ele está desenvolvendo um boneco de Natal com inteligência artificial, capaz de manter conversas, com lançamento previsto para o próximo ano.
Em Chenghai, Qiu Zhihong está adotando uma estratégia semelhante. Segundo ele, os brinquedos com inteligência artificial e sensíveis ao toque estão superando em vendas os modelos básicos, o que levou sua empresa a investir em produtos mais inteligentes e em marcas mais fortes. A companhia também está trabalhando diretamente com varejistas para eliminar intermediários.

Um comerciante seleciona brinquedos inteligentes no Mercado Internacional de Comércio de Yiwu, na província de Zhejiang, no leste da China, em 9 de outubro de 2026. (Foto de Shi Kuanbing/Xinhua)
Para os exportadores chineses, esses esforços de diversificação de mercados e inovação de produtos já estão abrindo portas.
No início deste mês, o comerciante de Yiwu, Tao Yang, fechou um pedido com um cliente americano para mais de 2.000 jaquetas jeans bordadas. O valor do pedido era modesto, mas demonstrou como novos designs e produtos personalizados podem ajudar os exportadores chineses a conquistar clientes no exterior e estabelecer relações comerciais de longo prazo.
"Quando o cliente veio a Yiwu em setembro, utilizamos design assistido por IA e ajustamos pessoalmente cada detalhe com ele. Foi assim que atendemos às suas necessidades e fechamos o negócio", disse Tao.
Tao ressaltou que essa agilidade é impulsionada pelas sólidas cadeias de suprimentos e industriais de Yiwu, aliadas a uma profunda compreensão do mercado, o que permite desenvolver produtos rapidamente e produzi-los em escala.
O economista Luo Zhiheng disse que a resiliência dos exportadores chineses dependerá da diversificação de mercados, da modernização tecnológica, do fortalecimento das marcas e da ampliação de sua presença internacional.

