
Uma funcionária coleta amostra de uma muda de Parashorea chinensis no centro de cultivo do Jardim Botânico Tropical de Xishuangbanna, vinculado à Academia Chinesa de Ciências (CAS, na sigla em inglês), na Prefeitura Autônoma Dai de XishuaEngbanna, província de Yunnan, no sudoeste da China, em 20 de maio de 2026. (Xinhua/Hu Chao)
Yerevan, 17 out (Xinhua) -- Quatro anos após a adoção do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, o primeiro relatório global de progresso constatou um avanço desigual em direção às metas de 2030, com as maiores lacunas concentradas nos esforços para combater as causas da perda de biodiversidade.
O relatório Estado da Ação pela Biodiversidade, divulgado pelas Nações Unidas na quinta-feira, servirá de base para a primeira avaliação global do progresso coletivo no âmbito do acordo, durante a próxima 17ª reunião da Conferência das Partes (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), na capital da Armênia.
Com a conferência marcada para começar em 19 de outubro, o desafio é transformar as conclusões dessa avaliação em ações concretas.
PROGRESSO DESIGUAL
Os países tomaram medidas em relação a todas as 23 metas do marco para 2030. No entanto, segundo o relatório, o cenário não é inteiramente positivo em nenhum aspecto. Se a implementação coletiva não for acelerada, as metas e a missão estabelecidas para 2030 não serão alcançadas.
O relatório aponta duas lacunas principais: as metas nacionais não refletem plenamente o escopo e a ambição dos compromissos globais, e a implementação fica aquém até mesmo dessas metas menos ambiciosas.
Astrid Schomaker, secretária-executiva da CDB, disse em agosto que menos da metade das metas nacionais avaliadas pelos países, e alinhadas ao marco global, estavam no caminho certo. As maiores lacunas referem-se à mobilização de recursos, à reforma de subsídios prejudiciais, aos impactos das atividades empresariais e à transição para um consumo sustentável.
Schomaker observou esforços de conservação promissores, mas também um progresso lento na mobilização de recursos, na reforma de subsídios prejudiciais e na governança inclusiva.
A estrutura estabelece a meta de reduzir incentivos nocivos à biodiversidade, incluindo subsídios, em pelo menos 500 bilhões de dólares americanos anualmente até 2030.
No entanto, uma análise realizada pelo site britânico Carbon Brief revelou que apenas cerca de 5% dos países estabeleceram metas quantitativas para a redução de subsídios. Alguns países relataram que o processo de reforma enfrenta obstáculos decorrentes de interesses estabelecidos e resistência política.
OBSTÁCULOS ECONÔMICOS
Um relatório recente do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) aponta que o aperto nas finanças públicas e as pressões imediatas relacionadas à segurança alimentar e energética são razões pelas quais alguns países têm demonstrado vontade política insuficiente para a proteção da biodiversidade.
O problema se torna mais agudo quando as reformas afetam grupos de interesse poderosos ou impõem custos imediatos a determinados setores, enquanto os benefícios da conservação são compartilhados por toda a sociedade e levam mais tempo para se manifestar.
O financiamento internacional representa outro desafio. Segundo o marco estabelecido, o financiamento internacional para a biodiversidade, fornecido por países desenvolvidos e outros contribuintes a países em desenvolvimento, deveria atingir, no mínimo, 20 bilhões de dólares anuais até 2025, aumentando para pelo menos 30 bilhões de dólares até 2030.
Contudo, o relatório Estado da Ação pela Biodiversidade mostra que o financiamento público internacional reportado totalizou apenas 17,7 bilhões de dólares entre 2020 e 2023, uma média de cerca de 4,4 bilhões de dólares por ano.
Uma avaliação da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos alerta que adiar ações pode dobrar os custos e aumentar o risco de perdas irreversíveis, incluindo a extinção de espécies. Os modelos econômicos atuais também agravam a perda de biodiversidade, as mudanças climáticas, a escassez de água, a insegurança alimentar e os riscos à saúde, com custos não contabilizados estimados entre 10 trilhões e 25 trilhões de dólares anualmente.
Dentro dos países e entre eles, a tensão central reside em quem deve arcar com os custos imediatos da proteção da natureza, e quando. Quanto mais tempo a ação for adiada, maiores serão os custos totais.

Vagalumes são vistos no Jardim Botânico Tropical de Xishuangbanna, da Academia Chinesa de Ciências (CAS, na sigla em inglês), na Prefeitura Autônoma Dai de Xishuangbanna, província de Yunnan, no sudoeste da China, em 22 de maio de 2026. (Foto de Zha Wei/Xinhua)
TRANSFORMAR ANÁLISE EM AÇÃO
O principal desafio para a COP17 é saber se a análise realizada pode oferecer orientações claras para ações futuras, segundo o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais, um think tank francês.
Conforme os procedimentos da convenção, os materiais da análise global serão submetidos à COP17, onde as partes examinarão as lacunas na implementação e considerarão medidas de acompanhamento.
Observadores dizem que três questões serão centrais na conferência.
Em primeiro lugar, que sinais as suas decisões enviarão? A reforma de subsídios prejudiciais e a integração da biodiversidade na tomada de decisões econômicas estão entre as áreas que apresentam maior defasagem. Um apelo genérico para acelerar as ações teria um peso diferente de medidas específicas voltadas para enfrentar esses obstáculos.
Em segundo lugar, como o financiamento será obtido e gerido? O financiamento é uma fragilidade importante identificada na análise e um critério fundamental pelo qual os países em desenvolvimento avaliarão os resultados da conferência. O WWF defendeu que a COP17 apresente resultados concretos, em vez de apenas novas promessas, incluindo um caminho viável para mobilizar, até 2030, pelo menos 30 bilhões de dólares anuais em financiamento internacional voltado para a biodiversidade.
Em terceiro, como serão implementadas as medidas de apoio? Durante o Diálogo de Kunming, realizado em setembro para discutir a implementação da estrutura, os participantes concordaram, de modo geral, que o financiamento, o fortalecimento de capacidades e a tecnologia são igualmente importantes. Eles também observaram que o apoio continua insuficiente, ao passo que a dependência de recursos de curto prazo prejudica o planejamento e a execução a longo prazo.
Apesar das lacunas reveladas pelo relatório, Schomaker ressaltou que as metas para 2030 ainda são alcançáveis, desde que sejam feitas mudanças significativas.
A COP17 precisará abordar quem arcará com os custos da proteção da natureza e como superar a resistência a reformas que, embora tragam dificuldades no curto prazo, geram benefícios a longo prazo. Suas decisões ajudarão a definir se o marco permanecerá apenas como um conjunto de compromissos no papel ou se será efetivamente incorporado a orçamentos nacionais, subsídios e investimentos.







