Cúpula de líderes coloca segurança, cooperação regional e financiamento no centro da próxima COP17-Xinhua

Cúpula de líderes coloca segurança, cooperação regional e financiamento no centro da próxima COP17

2026-10-20 11:23:56丨portuguese.xinhuanet.com

Um cervo-sika é visto na Reserva Natural Nacional de Cervos-Sika de Xiandongshan, em Qiqihar, na província de Heilongjiang, no nordeste da China, em 27 de setembro de 2026. (Foto de Lyu Shuxin/Xinhua)

Yerevan, 18 out (Xinhua) -- Os esforços globais para conter a perda de biodiversidade enfrentam um desafio comum: saber se os compromissos de conservação conseguirão resistir às pressões da pobreza, de conflitos e de prioridades econômicas concorrentes.

Na Cúpula de Líderes para a Biodiversidade, realizada na sexta-feira em Yerevan, essas pressões colocaram em evidência o desafio da implementação, às vésperas da 17ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), com início previsto para segunda-feira na capital armênia.

As discussões ressaltaram o quanto a proteção da biodiversidade está estreitamente ligada à segurança e ao desenvolvimento; a conservação de ecossistemas compartilhados depende da cooperação transfronteiriça; e a implementação requer financiamento acessível e de uma ampla participação.

NATUREZA COMO UMA QUESTÃO DE SEGURANÇA

Os participantes da cúpula destacaram como as pressões ambientais podem agravar os riscos à segurança.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, alertou que a poluição ultrapassa as fronteiras nacionais, enquanto a ministra do Meio Ambiente do Líbano, Tamara El-Zein, citou estimativas do Banco Mundial segundo as quais os danos ambientais decorrentes do conflito entre Israel e Hezbollah, em 2023-2024, superaram 500 milhões de dólares americanos.

O argumento relacionado à segurança estendeu-se também à resiliência econômica. O representante do Reino Unido descreveu a natureza como uma infraestrutura crítica que sustenta a prosperidade, a segurança e a resiliência. A vice-presidente-executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, disse que 55% do PIB global dependem fortemente da natureza.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, associou a perda de biodiversidade a conflitos, perturbações climáticas, insegurança alimentar e doenças, argumentando que essas crises não podem ser enfrentadas de forma isolada.

Com a proteção da natureza sendo cada vez mais vista como essencial para a paz e a segurança, o ministro da Ecologia e Meio Ambiente da China, Huang Runqiu, defendeu uma cooperação mutuamente benéfica e uma governança que envolva múltiplas partes interessadas, visando fortalecer a conservação da biodiversidade e a resiliência para o desenvolvimento sustentável.

Foto tirada em 23 de agosto de 2026 mostra uma foca-do-cáspio no Mar Cáspio. A espécie consta na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza como ameaçada de extinção desde 2008. (Xinhua/Chen Junfeng)

METAS GLOBAIS, REALIDADES REGIONAIS

Os exemplos regionais apresentados na cúpula revelaram um desafio adicional: os ecossistemas transcendem fronteiras, enquanto as políticas e o financiamento são, em grande parte, organizados em nível nacional.

O presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, disse que a população de focas-do-cáspio caiu de 1 milhão para 270 mil ao longo do último século. Ele relembrou o desastre ecológico do Mar de Aral e pediu medidas para evitar que o Mar Cáspio tenha um destino semelhante. Tokayev reiterou a proposta do Cazaquistão de criar uma organização internacional para a gestão dos recursos hídricos no âmbito do sistema da ONU, sugerindo que a iniciativa poderia ser desenvolvida em conjunto pelos países da Ásia Central, mantendo-se aberta à participação de outras nações.

As pressões se estendem para além do Mar Cáspio. O presidente do Tajiquistão, Emomali Rahmon, relatou que seu país perdeu mais de 1.300 geleiras nas últimas décadas. Já o presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, disse que, dos 101 rios que historicamente desaguavam no Lago Issyk-Kul, apenas cerca de 30 continuam fluindo durante todo o ano.

Essas mudanças ameaçam, simultaneamente, o abastecimento de água, os ecossistemas e os meios de subsistência, evidenciando a necessidade de cooperação em relação a águas e habitats compartilhados. Entre as propostas apresentadas, destacam-se a criação de um centro regional de combate à desertificação na Ásia Central e uma iniciativa da Armênia para estabelecer, em Yerevan, uma plataforma voltada à biodiversidade e aos ecossistemas de montanha e de água doce.

Contudo, a cooperação regional precisa, de fato, resultar em uma proteção efetiva na prática. Razan Al Mubarak, presidente da União Internacional para a Conservação da Natureza, alertou que o simples cumprimento da meta estabelecida pelo Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que prevê a conservação de, pelo menos, 30% das áreas terrestres, de águas interiores, marinhas e costeiras até 2030, não é garantia de resultados duradouros. Áreas protegidas exigem, também, uma gestão eficaz, governança equitativa, representatividade ecológica e conectividade.

Huang, o ministro do Meio Ambiente da China, defendeu o avanço das estratégias e planos de ação nacionais sobre biodiversidade, bem como a tradução de metas globais em políticas nacionais e medidas práticas.

Um pássaro voa na margem do lago Issyk-Kul, no Quirguistão, em 25 de julho de 2026. (Foto de Roman/Xinhua)

VIABILIZAÇÃO DO FINANCIAMENTO

Mesmo planos bem elaborados enfrentam um obstáculo financeiro: os recursos financeiros continuam sendo direcionados, em sua maior parte, para atividades que prejudicam a natureza.

Guterres disse que, para cada dólar investido na proteção da natureza, 30 dólares foram destinados a atividades que a prejudicam, com fluxos financeiros prejudiciais à natureza atingindo 7,3 trilhões de dólares em 2023. O desafio, portanto, consiste tanto em aumentar o financiamento para a conservação quanto em redirecionar investimentos e incentivos que a comprometem.

Os participantes apresentaram diversos compromissos de financiamento. Ribera, representante da Comissão Europeia, disse que a União Europeia está no caminho certo para dobrar seu financiamento internacional voltado à biodiversidade, atingindo 7 bilhões de euros (7,86 bilhões de dólares) no período de 2021 a 2027. O Reino Unido anunciou que destinará cerca de 6 bilhões de libras (7,98 bilhões de dólares) em financiamento climático internacional ao longo dos próximos três anos fiscais, com aproximadamente um quarto desse montante previsto para apoiar a natureza.

Para os países em desenvolvimento, contudo, o verdadeiro teste é saber se esses compromissos se traduzirão em um apoio previsível e acessível. O ministro do Meio Ambiente da Indonésia, Mohd Jumhur Hidayat, enfatizou que outras fontes de financiamento devem complementar, e não substituir, o financiamento público internacional. A ministra do Meio Ambiente do Zimbábue, Evelyn Ndlovu, destacou a prioridade de garantir, até 2030, pelo menos 30 bilhões de dólares anuais em financiamento internacional para a biodiversidade.

Além do financiamento, Huang ressaltou a necessidade de apoio tecnológico e de capacitação, mencionando a contribuição da China de 1,5 bilhão de yuans (cerca de 224 milhões de dólares) para a criação do Fundo de Biodiversidade de Kunming.

A Declaração de Yerevan, divulgada no encerramento da cúpula, defendeu que os compromissos políticos sejam convertidos em ações mensuráveis ​​e resultados duradouros. Com a abertura da COP17 em 19 de outubro, o desafio será transformar essa determinação em decisões que forneçam aos países os recursos e o apoio necessários para cumprirem suas promessas relacionadas à biodiversidade.

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