
Thomas Helbling, vice-diretor do Departamento da Ásia e Pacífico do Fundo Monetário Internacional (FMI), fala em entrevista à Xinhua em Bancoc, na Tailândia, em 12 de outubro de 2026. (Foto de Rachen Sageamsak/Xinhua)
Por Geng Lingnan e Liu Yang
Bancoc, 18 out (Xinhua) -- A China realiza esforços proativos para manter um sistema comercial multilateral baseado em regras, e as empresas chinesas podem desempenhar um papel importante na difusão de novas tecnologias e no apoio à sua aplicação por meio de investimentos no exterior, disse um representante do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O FMI vê com bons olhos os esforços proativos da China para manter um sistema comercial multilateral baseado em regras, disse Thomas Helbling, vice-diretor do Departamento da Ásia e Pacífico do FMI, em entrevista à Xinhua à margem das Reuniões Anuais de 2026 do FMI e do Grupo Banco Mundial, realizadas em Bancoc, na Tailândia.
"Em última análise, será importante que os países resolvam as tensões e divergências subjacentes que estão na origem das disputas comerciais. Para uma grande economia como a da China, será importante assumir um papel de liderança na resolução de algumas dessas divergências", disse ele.
Helbling também espera que a China ajude a levar os benefícios de novas tecnologias a outros países por meio de investimentos. O investimento estrangeiro direto realizado por empresas chinesas pode desempenhar um papel fundamental na difusão de novas tecnologias e no apoio à sua aplicação em outras nações, inclusive nos setores digital e de energia verde, explicou ele.
Helbling ressaltou que o FMI continua preocupado com os riscos decorrentes de uma maior fragmentação geoeconômica e de tensões geopolíticas, fatores que podem obstruir o comércio, gerar maiores atritos comerciais, aumentar as ineficiências na economia global e regional, e resultar em um crescimento mais baixo.
Ele destacou que o FMI defende há muito tempo que os países trabalhem para resolver as questões subjacentes às tensões comerciais e busquem um sistema comercial aberto, de preferência multilateral.
Ao abordar a resiliência econômica na China e na Ásia como um todo, Helbling observou que o impacto do choque energético foi mais ameno do que se esperava no início do ano. Ele acrescentou que, no caso da China, o governo mitigou o impacto sobre os preços ao consumidor final e mobilizou outras fontes de energia para compensar, em parte, o choque negativo na oferta de combustíveis fósseis.
Além disso, ele disse que o avanço da inteligência artificial (IA) está se expandindo e gerando efeitos positivos mais amplos na região, inclusive na China.
Em seu mais recente relatório Perspectivas Econômicas Regionais: Ásia e Pacífico, divulgado na quinta-feira, o FMI elevou a previsão de crescimento econômico da Ásia para 2026 para 4,8%, um aumento de 0,4 ponto percentual em relação à projeção feita em abril.
Sobre as perspectivas econômicas para a região da Ásia-Pacífico, Helbling observou que, embora estoques de reserva e medidas como subsídios à energia ou reduções de impostos tenham limitado o impacto do choque na oferta de energia, essas ações são difíceis de sustentar a longo prazo.
Ele explicou que, caso o choque energético persista ou se intensifique, os países acabarão esgotando seus estoques, e o impacto total nos preços afetará a economia de forma mais severa. Ele recomendou que os países recomponham suas reservas, garantindo, assim, condições para responder de maneira eficaz a um eventual novo choque na oferta de energia.

Thomas Helbling, vice-diretor do Departamento da Ásia e Pacífico do Fundo Monetário Internacional (FMI), em entrevista à agência Xinhua em Bancoc, na Tailândia, em 12 de outubro de 2026. (Foto de Rachen Sageamsak/Xinhua)




