Beijing, 20 out (Xinhua) -- O Ministério dos Recursos Hídricos da China assinou na última semana, na capital chinesa, um Memorando de Entendimento (MoU, em inglês) com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) do Brasil. O documento estabelece diretrizes para a cooperação técnica e para o intercâmbio de conhecimentos relacionados à gestão dos recursos hídricos nos dois países.
A parte chinesa afirmou que, como grandes países do Sul Global e potências hídricas, China e Brasil devem aprofundar a cooperação prática e "oferecer soluções sino-brasileiras para os países do Sul Global". A parte brasileira manifestou grande apreço pelos resultados da governança hídrica chinesa e disse esperar implementar plenamente o memorando e ampliar a cooperação prática em recursos hídricos.
O documento prevê ainda intercâmbio técnico em monitoramento hidrológico, infraestrutura hídrica e prevenção de secas e inundações
A cooperação sino-brasileira no setor hídrico não começou agora. Em abril de 2011, os dois países já haviam assinado um MoU no campo dos recursos hídricos, cobrindo gestão e proteção de recursos hídricos, prevenção e mitigação de enchentes e secas e construção de grandes obras hidrelétricas.
Em novembro e dezembro de 2025, uma delegação do MIDR realizou uma missão técnica à China e visitou o Projeto de Transposição de Água Sul-Norte da China. "Tivemos a oportunidade de conhecer o maior empreendimento de segurança hídrica do mundo", afirmou Giuseppe Vieira, secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR.
Desde que a primeira fase do projeto entrou em plena operação em 2014, o projeto tem fornecido água estável e de alta qualidade para 195 milhões de pessoas.
O Brasil possui cerca de 12% da água doce do planeta, mas a distribuição é profundamente desigual. É nesse contexto que o país desenvolve o projeto de Integração do Rio São Francisco, que busca levar água da região mais úmida para áreas que sofrem com a escassez. A ambiciosa engenharia é composta por Eixo Norte e Eixo Leste, que juntos percorrem uma distância de 477 km para as regiões mais necessitadas de água.
Segundo um comunicado do MIDR, o documento também abrange o intercâmbio sobre planejamento, operação e modernização de grandes infraestruturas hídricas e de sistemas de transposição de água a longa distância. Outros tópicos incluem prevenção e adaptação a eventos climáticos extremos, como secas e inundações, governança de bacias hidrográficas, eficiência no uso da água e soluções baseadas na natureza em áreas urbanas. O instrumento terá validade de cinco anos.
A missão do ministério brasileiro seguirá para negociações com o Novo Banco de Desenvolvimento sobre cooperação técnica e financiamento de projetos relacionados à segurança hídrica e à infraestrutura sustentável.

