África busca promover o uso do RMB em alinhamento à política de tarifa zero-Xinhua

África busca promover o uso do RMB em alinhamento à política de tarifa zero

2026-10-22 11:22:25丨portuguese.xinhuanet.com

Especialistas participam de um painel de discussão no Fórum Gana-China sobre Tarifa Zero 2026, em Acra, em Gana, em 15 de outubro de 2026. (Foto por Seth/Xinhua)

Governos e instituições financeiras africanos vêm promovendo a diversificação das moedas usadas no comércio e ampliando o uso do RMB nas transações, uma vez que a China implementou, em maio, uma política de tarifa zero para 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas.

Acra, 20 out (Xinhua) -- Governos e instituições financeiras africanos vêm promovendo a diversificação das moedas usadas no comércio e ampliando o uso do RMB nas transações, uma vez que a China implementou, em maio, uma política de tarifa zero para 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas.

O Ecobank Group, um grupo bancário pan-africano sediado no Togo, assinou recentemente um memorando de entendimento com o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS, na sigla em inglês) para fortalecer a conectividade de pagamentos em RMB entre a China e a África.

Entre o final de julho e agosto, o Stanbic Bank, banco subsidiário do grupo sul-africano Standard Bank Group que atua em mercados como Quênia, Tanzânia, Uganda, Gana e Namíbia, conectou-se oficialmente ao CIPS.

A agricultora Deborah Muhawenimana posa para uma foto com pimentas recém-colhidas na aldeia de Ibiza, no distrito de Kayonza, na província do Leste, em Ruanda, no dia 14 de abril de 2026. (Xinhua/Ju Yinhe)

O Bank of Kigali, maior banco comercial de Ruanda, anunciou no final de setembro que se tornou, oficialmente, um participante direto do CIPS.

O GCB Bank PLC, de Gana, o maior banco de capital ganês, e o Banco de Fomento Angola, o segundo maior banco comercial de Angola, também planejam aderir ao CIPS para atender à crescente demanda de seus clientes por liquidação direta em RMB.

Bill Blackie, diretor-executivo de serviços bancários para empresas e negócios no Standard Bank Group, disse em setembro que a política de tarifa zero da China está ajudando as empresas africanas a reduzir os custos de exportação, ao passo que a crescente capacidade de liquidação em RMB facilita ainda mais o comércio entre a África e a China.

Ele disse que o Standard Bank oferece atualmente serviços de pagamento em RMB em 10 mercados africanos, permitindo que algumas transações transfronteiriças sejam liquidadas em minutos, em vez de dias.

Convidados celebram o lançamento do serviço de liquidação direta em RMB do Stanbic Bank Tanzânia em Dar es Salã, na Tanzânia, em 12 de agosto de 2026. (Xinhua/Nurdin Pallangyo)

Johnson Asiama, governador do Banco de Gana, declarou recentemente que as autoridades trabalharão com seus homólogos chineses para eliminar a necessidade de moedas de terceiros na liquidação de transações entre comerciantes ganenses e fornecedores chineses.

A China tem sido o maior parceiro comercial da África. Em 2025, o comércio entre a China e a África cresceu 17,7% em relação ao ano anterior, atingindo 348 bilhões de dólares americanos, enquanto as exportações africanas para a China superaram 123 bilhões de dólares.

"O CIPS começa a oferecer à África uma via alternativa", disse Gerald Mbanda, pesquisador e editor ruandês especializado em desenvolvimento e cooperação entre a China e a África.

Ele disse à Xinhua que isso representa mais do que um avanço técnico no setor bancário e pode se tornar um componente financeiro importante dos laços econômicos em expansão entre os países africanos e a China.

Segundo Mbanda, o CIPS fornece a infraestrutura necessária para pagamentos e liquidações transfronteiriças em yuan. À medida que os bancos africanos se conectam cada vez mais ao sistema, as empresas passam a ter um acesso mais direto a transações denominadas em RMB com seus parceiros chineses.

Pessoas participam de uma cerimônia que marca o 10º aniversário do Bank of China como banco de compensação em renminbi (RMB) na Zâmbia, em Lusaca, em 23 de maio de 2025. (Xinhua/Peng Lijun)

Jonas Atingdui, analista econômico e de políticas de Gana, observou que a internacionalização do RMB pode ser compreendida como parte da diversificação gradual do sistema internacional monetário e de pagamentos. Em escala global, a proporção de reservas em dólares mantidas pelos bancos centrais vem diminuindo em favor do ouro e de outras moedas.

"Para as economias africanas, um maior uso do RMB pode oferecer uma opção adicional para a liquidação de transações comerciais com a China", disse ele.

Ele destacou que a liquidação direta em RMB, por meio do CIPS, pode não apenas reduzir conversões cambiais desnecessárias, diminuir a dependência de múltiplos bancos correspondentes ou intermediários, aumentar a eficiência das transações e reduzir o risco cambial, mas também aprimorar as relações comerciais com fornecedores chineses.

Com a implementação oficial das medidas de tarifa zero, as importações da China provenientes da África atingiram 193,8 bilhões de yuans (cerca de 28,96 bilhões de dólares) nos meses de maio e junho, um aumento de 23,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações de abacates, maçãs e laranjas registraram crescimentos de 130%, 89,6% e 27,9%, respectivamente.

Atingdui disse que, para aproveitar melhor os benefícios da tarifa zero, o desenvolvimento financeiro precisa acompanhar o ritmo do comércio. Se exportadores ganeses venderem para a China e receberem em RMB, o desenvolvimento de uma infraestrutura de pagamentos em RMB permitirá que esses exportadores recebam e administrem os recursos de forma mais direta.

Ele também observou que o mercado de RMB na África ainda tem liquidez e alcance limitados e que, portanto, a infraestrutura de pagamentos precisa ser complementada por iniciativas de educação financeira.

"A próxima etapa deve garantir que esse canal não seja utilizado exclusivamente por grandes empresas. Bancos, órgãos governamentais e associações empresariais devem orientar importadores e exportadores de menor porte sobre a liquidação em RMB, o risco cambial, as exigências documentais e as oportunidades relacionadas ao comércio direto com a China", acrescentou ele.

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