(Multimídia) Carros chineses dominam o mercado brasileiro de elétricos enquanto a produção local avança-Xinhua

(Multimídia) Carros chineses dominam o mercado brasileiro de elétricos enquanto a produção local avança

2026-10-22 16:56:15丨portuguese.xinhuanet.com
Foto de drone tirada em 29 de maio de 2026 mostra veículos de nova energia aguardando embarque em uma base logística ferroviária em Nantong, na Província de Jiangsu, leste da China. (Foto de Xu Congjun/Xinhua) 

   Beijing, 22 out (Xinhua) -- O Brasil se destacou como o maior mercado para os veículos de nova energia (NEVs, sigla em inglês) exportados pela China entre janeiro e agosto deste ano, com 337,1 mil unidades embarcadas, alta de 159,4% em relação ao mesmo período de 2025. Somente em agosto, os embarques cresceram 354% em relação a julho, segundo dados da Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA, sigla em inglês).

   Em entrevista à Xinhua na quarta-feira, Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA, disse que os veículos chineses continuam competitivos no Brasil e que a expansão da produção local deverá ampliar o comércio de kits de montagem e autopeças.

   "As exportações de veículos completos deixarão de ser a principal forma de fornecimento e passarão a ter um papel complementar, principalmente para modelos de nicho e testes de mercado de curto prazo", disse Cui.

   O volume dos embarques chineses para o Brasil oscilou fortemente nos últimos meses, em meio ao aumento das tarifas de importação. Após atingir cerca de 92 mil unidades em abril, caiu para 6.700 em julho e voltou a subir para quase 31 mil em agosto, segundo a CPCA.

   Desde julho, o Brasil cobra uma tarifa de 35% sobre carros elétricos e híbridos importados prontos ou semidesmontados. Para veículos importados totalmente desmontados, a alíquota permanece em 14% até o fim de 2026.

   Segundo Cui, as montadoras chinesas ajustaram os cronogramas de embarque e a gestão dos estoques em resposta às mudanças tarifárias, alterando também a proporção de veículos completos e kits de montagem nas exportações. Ele afirmou que essas mudanças ajudam a explicar as oscilações nos embarques, enquanto a demanda brasileira por veículos chineses de nova energia permanece forte.

  Hoje em dia, cada vez mais montadoras chinesas construíram fábricas no Brasil, integrando a cadeia industrial ao mercado local e acelerando seu posicionamento industrial sistemático no país.

   Na Bahia, a BYD alcançou em julho a marca de 100 mil veículos montados em sua fábrica de Camaçari. Em setembro, a montadora informou que já empregava diretamente mais de 8 mil pessoas na unidade e anunciou planos de contratar outros 1.500 trabalhadores para ampliar os turnos de produção.

   A Great Wall Motor (GWM) também vem ampliando suas operações em Iracemápolis, no interior de São Paulo. Até agosto, a fábrica havia produzido mais de 15 mil veículos e tem aumentado seu quadro de funcionários de cerca de 600, no início das atividades, para mais de 1.800. A unidade já realiza processos de soldagem de carrocerias, pintura e montagem final.

   Por meio da promoção contínua da produção localizada e do aperfeiçoamento da rede de vendas, o Brasil poderá oferecer um importante apoio à expansão das marcas automotivas chinesas para os mercados da América do Sul, observou Liu Yan, especialista da Aliança para a Inovação e o Desenvolvimento Internacional das Montadoras Chinesas.

   As marcas chinesas de carros 100% elétricos dominam o mercado brasileiro. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), oito das dez marcas que mais venderam carros elétricos no Brasil em setembro eram chinesas. Juntas, responderam por mais de 90% dos emplacamentos do segmento. BYD, Geely e GAC ocuparam as três primeiras posições.

   Cui atribuiu essa competitividade à variedade de modelos elétricos e híbridos plug-in, que atendem a diferentes faixas de preço e necessidades dos consumidores, além da integração das cadeias de fornecedores e dos custos de produção mais baixos.

   BYD e GWM também ampliaram suas redes de concessionárias e os serviços de financiamento e pós-venda, além de firmarem parcerias com instituições financeiras e plataformas de transporte por aplicativo.

   "As marcas tradicionais europeias e norte-americanas demoram a lançar novos modelos eletrificados no Brasil e cobram preços elevados, o que abre um enorme espaço para as marcas chinesas", disse ele.

   O aumento da produção no Brasil cria oportunidades para fornecedores brasileiros. A BYD já iniciou a seleção de empresas locais para ampliar a compra de componentes fabricados no país. Segundo Cui, o Brasil conta com fornecedores de carrocerias, chassis, acabamentos internos, componentes de borracha e peças fundidas que podem atender às montadoras chinesas.

   Engenheiros brasileiros também participam do desenvolvimento de tecnologias adaptadas ao mercado local. A GWM realizou mais de 400 mil quilômetros em testes de seu modelo híbrido a etanol, enquanto a BYD desenvolve com profissionais brasileiros uma tecnologia híbrida compatível com o combustível.

   Cui prevê que a produção local aumentará as exportações chinesas de autopeças e equipamentos industriais para o Brasil e atrairá fornecedores chineses ao país. Ele apontou para as oportunidades de cooperação em baterias, sistemas híbridos a etanol e veículos adaptados às condições das estradas brasileiras.

   "Esse processo ocorrerá em etapas: primeiro, com a exportação de kits de montagem e equipamentos, seguida por investimentos em novas fábricas ou joint ventures de fabricantes de autopeças. As montadoras liderarão esse movimento, impulsionando a internacionalização de toda a cadeia produtiva", disse.

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