
Pessoas segurando cartazes protestam em frente à Dieta Nacional em Tóquio, no Japão, em 19 de outubro de 2026. (Xinhua/Liang Chen)
Tóquio, 21 out (Xinhua) -- À medida que a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi completa um ano no cargo, crescem as críticas aos seus esforços para expandir as capacidades militares do país, revisar sua Constituição pacifista e considerar a introdução de submarinos movidos a energia nuclear. Políticos, manifestantes e especialistas em questões nucleares alertam que essas medidas podem intensificar as tensões regionais e minar os princípios pacifistas adotados pelo Japão no pós-guerra.
O ex-primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba expressou recentemente, em um programa de televisão, sua preocupação com a orientação política de Takaichi, criticando o governo dela e as forças de direita pela falta de honestidade ao abordar o passado bélico do Japão.
No programa, transmitido pela emissora japonesa BS-TBS na segunda-feira, Ishiba disse que o Japão iniciou guerras que resultaram em dezenas de milhões de mortes, questionando se um país que não reconheceu plenamente esses fatos históricos seria capaz de estabelecer relações diplomáticas sólidas.
Ishiba também questionou a promessa de Takaichi de tornar o Japão "forte e próspero", observando que o Produto Interno Bruto (PIB) do país pode cair para a sexta posição global no próximo ano. Em outras palavras, a chamada "Sanae-nomics" não trouxe prosperidade ao Japão. Ishiba acrescentou que a trajetória política de Takaichi "não tornará as pessoas felizes".

Pessoas protestam em frente à Dieta Nacional em Tóquio, no Japão, em 19 de outubro de 2026. (Xinhua/Liang Chen)
Na noite de segunda-feira, cidadãos japoneses se reuniram em frente à Dieta Nacional, em Tóquio, para protestar contra o fortalecimento militar promovido pelo governo e as iniciativas para revisar a Constituição, defendendo a preservação da paz.
Taku Yamazoe, chefe de políticas do Partido Comunista Japonês, disse que a contínua instalação de mísseis pelo governo e a busca por armas cada vez mais avançadas não trouxeram paz, alertando que a política japonesa apresenta, atualmente, sinais de um perigoso ressurgimento do militarismo em larga escala.
Mizuho Fukushima, líder do Partido Social-Democrata, defendeu esforços para impedir que a Câmara dos Representantes inicie os trabalhos de elaboração de propostas de emendas constitucionais. Ela também criticou as tentativas do governo Takaichi de abrir caminho para uma revisão constitucional, reduzindo o número de cadeiras destinadas à representação proporcional.
Ao mencionar os exercícios militares conjuntos de grande escala entre Japão e Estados Unidos, iniciados na segunda-feira, Fukushima disse que essas ações demonstram o avanço contínuo da militarização do Japão, ressaltando que o que o país realmente necessita é de paz.

Manifestantes seguram cartazes durante um protesto em Tóquio, no Japão, em 20 de outubro de 2026. (Xinhua/Li Ziyue)
Também crescem as preocupações com a possibilidade de o governo Takaichi introduzir submarinos movidos a energia nuclear, em um momento em que o país se prepara para revisar seus três principais documentos de segurança até o final deste ano. Especialistas em questões nucleares e defensores da paz alertam que essa medida poderia comprometer a política de longa data do Japão, estritamente voltada para a defesa, e enfraquecer o regime internacional de não proliferação nuclear.
Em um seminário realizado em Tóquio na segunda-feira, os participantes destacaram desafios políticos, financeiros e de segurança nuclear associados à introdução desses submarinos, alertando que a iniciativa poderia agravar as tensões regionais e elevar o risco de um conflito nuclear.
Tatsujiro Suzuki, professor visitante na Universidade de Nagasaki, disse que a medida do Japão poderia incentivar outros países a seguirem o mesmo caminho, prejudicando os esforços internacionais de não proliferação nuclear. Ele alertou que essa tendência poderia intensificar as tensões regionais e, em última análise, aumentar o risco de uma guerra nuclear.

Pessoas segurando cartazes protestam em Tóquio, no Japão, em 20 de outubro de 2026. (Xinhua/Li Ziyue)
Sumiko Hatakeyama, uma das representantes da organização não governamental japonesa Peace Boat, disse que o Japão não deve abandonar seus princípios do pós-guerra, baseados em uma política voltada exclusivamente para a defesa e no uso pacífico da energia nuclear, ressaltando que o governo não deveria introduzir submarinos movidos a energia nuclear.
Hajime Matsukubo, secretário-geral do Centro de Informações Nucleares dos Cidadãos e membro do Subcomitê de Energia Nuclear do Ministério da Economia, Comércio e Indústria, disse que submarinos movidos a energia nuclear poderiam permitir que o Japão operasse por períodos prolongados em áreas marítimas mais amplas, afetando significativamente o cenário de segurança regional.
Matsukubo observou também que governos japoneses anteriores haviam declarado explicitamente que o uso de energia nuclear para propulsão de submarinos militares não se enquadrava no conceito de "uso pacífico da energia nuclear", posição expressa quando submarinos movidos a energia nuclear ainda não eram comuns.
Segundo ele, as discussões do gabinete de Takaichi sobre a introdução de submarinos movidos a energia nuclear representavam, portanto, uma clara contradição com a posição anterior do governo, o que ele classificou como uma questão grave.

