Homenagens da FAO destacam os esforços da China para fortalecer a segurança alimentar global-Xinhua

Homenagens da FAO destacam os esforços da China para fortalecer a segurança alimentar global

2026-10-25 16:55:43丨portuguese.xinhuanet.com

Yin Yuzhen (direita), pioneira chinesa no controle de desertificação e uma das homenageadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) na lista "100 Mulheres Heroínas nos Sistemas Agroalimentares e Desenvolvimento Rural", posa para uma foto com Ronald Sakolsky na cerimônia do Dia Mundial da Alimentação da FAO em Roma, na Itália, em 16 de outubro de 2026. (Xinhua/Wang Kaiyan)

* As recentes homenagens concedidas pela FAO à pioneira chinesa no controle da desertificação, Yin Yuzhen, e a um instituto de pesquisa chinês, destacaram os esforços mais amplos da China para fortalecer a segurança alimentar global por meio da restauração ecológica, inovação tecnológica e cooperação internacional.

* A princesa Basma bint Ali, da Jordânia, descreveu os esforços de Yin, que perduram há décadas, como "a outra face da inovação". Ela enfatizou que o enfrentamento da fome, dos choques climáticos e da desigualdade exige atenção e ações contínuas.

* Além da restauração ecológica, a inovação tecnológica oferece outro caminho para fortalecer a segurança alimentar, ajudando os países a impulsionar a produção agrícola, lidar com riscos ambientais e construir sistemas alimentares mais resilientes.

* Em entrevista à Xinhua, o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, observou que a China tem se preparado para riscos naturais e geopolíticos ao diversificar suas importações, manter seu mercado aberto e aprimorar a gestão de estoques.

Roma 23 out (Xinhua) -- Enquanto a pioneira chinesa no controle da desertificação, Yin Yuzhen, era homenageada na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), em Roma, seu amigo americano de longa data, Ronald Sakolsky, observava a cena com os olhos cheios de lágrimas.

"Yin merece tudo o que recebe. Ela é uma heroína", disse Sakolsky, um professor aposentado que ajudou a financiar os esforços dela de plantio de árvores há mais de duas décadas.

Na cerimônia de 15 de outubro, Yin foi homenageada como uma das "100 Mulheres Heroínas nos Sistemas Agroalimentares e Desenvolvimento Rural" da FAO, uma iniciativa que marca o Ano Internacional da Mulher Agricultora, em 2026.

Um dia depois, um instituto de pesquisa chinês recebeu um prêmio da FAO por sua tecnologia de monitoramento de cultivos.

Em conjunto, essas homenagens destacaram os esforços mais amplos da China para fortalecer a segurança alimentar global por meio da restauração ecológica, da inovação tecnológica e da cooperação internacional.

DA AREIA À PAISAGEM VERDE

A história de Yin e Sakolsky começou em 1999, quando Sakolsky lecionava na província de Henan, no centro da China. Após assistir a uma reportagem na televisão sobre os esforços de Yin para conter o avanço da desertificação na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China, ele arrecadou 5.000 dólares americanos para apoiar o projeto de reflorestamento dela.

Depois de anos sem contato, os dois se reencontraram na Mongólia Interior em agosto de 2026. Naquela altura, as mudas viabilizadas pela doação de Sakolsky haviam se transformado em mais de 50.000 árvores.

Desde que plantou sua primeira árvore, em 1986, Yin ajudou a recuperar uma área de mais de 70.000 mu (cerca de 4.667 hectares) de terras arenosas, uma extensão equivalente a aproximadamente 6.500 campos de futebol oficiais. Hoje, a área abriga uma maior variedade de culturas e plantas, incluindo cerejeiras e rosas, criando novas oportunidades para a produção agrícola e o aumento da renda.

"Passei mais de 40 anos transformando este deserto e, agora, todo tipo de alimento pode crescer aqui", disse Yin à agência Xinhua.

Os esforços de Yin refletem a iniciativa mais ampla da China no combate à desertificação. Um componente central desse esforço é o Programa da Floresta de Abrigo dos Três Nortes, lançado em 1978 com o objetivo de restaurar terras degradadas e fortalecer a segurança ecológica no norte do país.

Para Yin, o combate à desertificação é também fundamental para a produção agrícola. "Se não conseguirmos controlar a areia, como poderemos cultivar boas colheitas quando as tempestades de areia chegarem? Como poderemos melhorar o solo?", disse ela.

Na cerimônia do Dia Mundial da Alimentação, realizada em Roma no dia 16 de outubro, a princesa Basma bint Ali, da Jordânia, descreveu os esforços de décadas de Yin como "a outra face da inovação". Ela enfatizou que o enfrentamento da fome, dos choques climáticos e da desigualdade exige atenção e ação contínuas.

"Deve ser um trabalho constante, que planta, cuida e, finalmente, colhe os resultados. Assim como fez Yin Yuzhen", disse a princesa.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), Qu Dongyu (direita), entrega o Prêmio de Realização da FAO 2026 a Wu Bingfang, pesquisador do Instituto de Pesquisa em Informações Aeroespaciais da Academia Chinesa de Ciências (AIRCAS, na sigla em inglês), na cerimônia de encerramento do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, Itália, em 16 de outubro de 2026. (Xinhua/Wang Kaiyan)

INOVAÇÃO PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR GLOBAL

Além da restauração ecológica, a inovação tecnológica oferece outra via para fortalecer a segurança alimentar, ajudando os países a impulsionar a produção agrícola, enfrentar riscos ambientais e construir sistemas alimentares mais resilientes.

No dia 16 de outubro, o Instituto de Pesquisa em Informações Aeroespaciais da Academia Chinesa de Ciências recebeu o Prêmio de Realização da FAO 2026 pelo CropWatch, uma plataforma de monitoramento de safras baseada em nuvem.

Desenvolvida por uma equipe liderada pelo pesquisador Wu Bingfang, a plataforma combina observações por satélite com dados climáticos e agrícolas para monitorar as condições das lavouras, avaliar as perspectivas de produção e identificar riscos, como secas e chuvas anômalas.

Por meio de seu serviço em nuvem de acesso aberto, o CropWatch permite que os usuários realizem suas próprias avaliações de safras sem a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura computacional local.

Segundo a equipe de pesquisa, a plataforma tem auxiliado mais de 40 países e regiões no monitoramento das condições das lavouras, e seus boletins têm atendido usuários em 173 países e regiões.

O CropWatch também foi integrado à Plataforma Geoespacial Hand-in-Hand da FAO e ao Centro de Conhecimento do Grupo de Observações da Terra. Ele funciona como um canal importante e uma fonte independente de informações oportunas sobre o monitoramento de safras para usuários em todo o mundo.

Após receber o prêmio, Wu declarou à agência Xinhua que o reconhecimento valida as mais de três décadas de dedicação da equipe.

"Este não é o fim, mas um marco em uma nova jornada que se inicia", disse ele.

Foto tirada em 16 de outubro de 2026 mostra uma visão geral da cerimônia do Dia Mundial da Alimentação na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), em Roma. (Xinhua/Wang Kaiyan)

COMPARTILHANDO A EXPERIÊNCIA CHINESA PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR

A contribuição da China vai além da produção interna, estendendo-se à cooperação agrícola internacional.

Além de alimentar sua própria população, que supera 1,4 bilhão de pessoas, a China tem prestado assistência a países necessitados, contribuindo para a segurança alimentar global.

Zhang Lubiao, representante permanente da China junto à FAO, disse que o país aprofundará a cooperação com a organização em áreas como arroz híbrido, irrigação com economia de água, agricultura digital e tecnologias de adaptação climática.

Essa cooperação já vem gerando resultados concretos em diversos países.

Nosipho Jezile, representante permanente da África do Sul junto às agências da ONU para alimentação e agricultura, destacou que os projetos de cooperação Sul-Sul da China com a FAO têm apoiado o cultivo de arroz, a aquicultura, a infraestrutura de irrigação, a mecanização e a inovação agrícola em nações africanas.

"Esses projetos trouxeram aumentos tangíveis na produção e criaram oportunidades de emprego", disse ela.

A segurança alimentar depende de fatores que vão além da produção agrícola. Manter os alimentos a preços acessíveis e garantir um fornecimento estável de fertilizantes e outros insumos agrícolas também é fundamental, especialmente em meio a incertezas econômicas e geopolíticas.

Em entrevista à Xinhua, o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, disse que a alta dos preços, e não a escassez imediata de alimentos, representa, atualmente, o maior risco para a segurança alimentar global.

Torero observou que a China tem se preparado para riscos naturais e geopolíticos por meio da diversificação de suas importações, da manutenção da abertura de seu mercado e do aprimoramento da gestão de estoques.

As exportações chinesas de ureia também têm ajudado a reduzir os preços, disse ele, instando os principais produtores e importadores a não distorcerem os mercados nem restringirem as exportações de insumos agrícolas.

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