Uma borboleta em Yerevan destaca pontos em comum sobre a biodiversidade-Xinhua

Uma borboleta em Yerevan destaca pontos em comum sobre a biodiversidade

2026-10-27 13:41:18丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 18 de outubro de 2026 mostra a cerimônia de abertura da 17ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17) em Yerevan, na Armênia. (Xinhua/Chen Junfeng)

Yerevan, 25 out (Xinhua) -- Uma fita que combina 23 cores forma uma borboleta; cada tonalidade representa uma das 23 metas do Marco Global para a Biodiversidade de Kunming-Montreal (KMGBF, na sigla em inglês), adotado em 2022.

Na 17ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (ONU), a COP17, que está sendo realizada em Yerevan, o emblema aparece nas paredes do local do evento, em broches na lapela dos delegados e nos crachás de credenciamento.

No entanto, a borboleta real não é vista em lugar nenhum.

A Polyommatus eriwanensis, uma espécie de borboleta endêmica da Armênia, produz apenas uma geração por ano. Os adultos voam de meados de junho a meados de julho, antes de desaparecerem das pastagens calcárias do país, situadas em altitudes entre 1.200 e 2.200 metros.

Em outubro, quando representantes das 196 Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica se reúnem na capital armênia para a COP17, seu breve período de voo já terminou há muito tempo. Ainda assim, esse inseto pouco conhecido se tornou um símbolo apropriado para uma conferência que enfrenta questões complexas sobre a proteção da natureza, quem possui os recursos para isso, como medir o progresso e como agir quando tanto sobre a natureza permanece desconhecido.

Divergências fazem parte das negociações. Na sessão plenária de abertura, o Senegal, falando em nome do Grupo Africano, instou os países desenvolvidos a honrarem seus compromissos financeiros, enquanto a Jamaica enfatizou a importância de mobilizar recursos adequados.

Menos da metade das metas nacionais avaliadas pelas partes está no caminho certo. Ainda assim, a mesma borboleta aparece entre as delegações, servindo como um lembrete visual de um compromisso compartilhado que transcende as fronteiras nacionais e não necessita de negociação.

Suas 23 cores mescladas representam as 23 metas do KMGBF, que estão agrupadas em três áreas temáticas: redução das ameaças à biodiversidade, atendimento às necessidades humanas por meio do uso sustentável e da repartição de benefícios, e fornecimento de ferramentas e soluções para a implementação.

Seus criadores também se inspiraram na metamorfose da borboleta como um símbolo da transformação necessária para proteger a natureza.

A borboleta passa apenas cerca de um mês por ano na fase adulta, com capacidade de voo. Durante o restante de seu ciclo de vida, ela passa por estágios menos visíveis: ovo, lagarta e crisálida.

A diplomacia da biodiversidade segue um padrão semelhante. Uma reunião da COP traz duas semanas de discursos, fotografias e declarações. O trabalho que determina se essas promessas levarão a mudanças ocorre, em grande parte, longe dos holofotes, por meio da aprovação de leis, destinação de recursos orçamentários, reforma de subsídios prejudiciais e aplicação de medidas de conservação.

Com quatro anos restantes até o prazo final do marco, estabelecido para 2030, os governos estão conduzindo a primeira revisão global do progresso coletivo, utilizando relatórios, metas e indicadores nacionais para avaliar o que foi alcançado e onde são necessárias mais ações.

No entanto, esse processo depende de dados de monitoramento confiáveis, que ainda são difíceis de obter. A borboleta ilustra esse desafio: apesar de sua presença marcante na COP17, os cientistas ainda não sabem de qual planta suas lagartas se alimentam.

Além de ser difícil de identificar na natureza, a borboleta é difícil de monitorar, o que limita as informações dos cientistas sobre as tendências de sua população e as ameaças que ela enfrenta.

Se rastrear uma única espécie apresenta esses desafios, monitorar a biodiversidade em vastas florestas remotas, oceanos profundos e áreas úmidas é uma tarefa ainda maior.

A borboleta também remete ao efeito borboleta. Em 1972, o meteorologista Edward Lorenz formulou uma pergunta que se tornou famosa: o bater de asas de uma borboleta no Brasil poderia desencadear um tornado no Texas?

O ponto central de seu argumento era que até mesmo pequenas perturbações em sistemas complexos podem alterar o curso dos acontecimentos, por vezes com consequências difíceis de prever.

Embora Lorenz estivesse discutindo a atmosfera, e não ecossistemas, os limites da previsibilidade oferecem um paralelo útil em relação à natureza.

Espécies e habitats estão conectados de maneiras que os cientistas ainda não compreendem totalmente. No caso da Polyommatus eriwanensis, cuja planta hospedeira, utilizada por suas lagartas, permanece desconhecida, quais seriam as consequências caso essa borboleta desaparecesse das pastagens calcárias da Armênia?

Talvez não exista uma forma confiável de saber isso com antecedência.

Essa incerteza não é motivo para adiar ações de conservação. Pelo contrário, ela reforça a necessidade de proteger os ecossistemas antes que os danos se tornem irreversíveis.

Como observou Lorenz, se o bater de asas de uma borboleta pode ajudar a desencadear um tornado, ele também pode, da mesma forma, ajudar a evitá-lo.

Talvez isso ofereça outra perspectiva para compreender a presença da borboleta na COP17: os delegados não podem prever com precisão quais serão as consequências de suas decisões para a natureza nos próximos anos, mas, ainda assim, podem agir para reduzir novos danos à biodiversidade.

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