Beijing, 27 out (Xinhua) -- As principais empresas industriais da China registraram um forte crescimento de lucros nos primeiros nove meses de 2026, impulsionado por ganhos robustos no setor de eletrônicos e manufatura de alta tecnologia, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira.
Os lucros das principais empresas industriais, cujas receitas anuais dos principais negócios atingiram 20 milhões de yuans (US$ 2,98 milhões), aumentaram 15,5% em termos anuais no período de janeiro a setembro, mantendo um crescimento de dois dígitos desde o início do ano, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas (DNE).
Somente em setembro, os lucros industriais dessas empresas aumentaram 14,4% ano a ano, com a taxa de crescimento subindo 10,2 pontos percentuais em relação a agosto.
Yu Weining, estatístico do DNE, atribuiu o crescimento geral dos lucros ao intensificado apoio das políticas macroeconômicas, à produção industrial estável e ao desenvolvimento acelerado de novas forças produtivas de qualidade.
A indústria eletrônica emergiu como um importante motor de crescimento, com os lucros dobrando em relação ao ano anterior e contribuindo com 9,6 pontos percentuais para o aumento geral dos lucros industriais.
Movidos pela demanda de poder de computação de IA e tecnologias avançadas de memória, os lucros na fabricação de materiais eletrônicos especializados dispararam 220%, enquanto os da fabricação de dispositivos discretos semicondutores aumentaram 51,7%.
Paralelamente, os lucros na manufatura de alta tecnologia aumentaram 52% em relação ao ano anterior, superando a média industrial geral em 36,5 pontos percentuais.
Nos três primeiros trimestres, a manufatura de alta tecnologia representou 25,5% do total de lucros gerados pelas principais empresas industriais da China, um aumento de 6,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
À medida que a manufatura de ponta continua a avançar e novas forças produtivas de qualidade tomam forma em um ritmo mais acelerado, o setor industrial da China está se transformando gradualmente para uma estrutura mais avançada e impulsionada pela inovação, observou Yu.
Os dados divulgados nesta terça-feira surgiram no momento em que o 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030) destaca o desenvolvimento de um sistema industrial moderno ancorado na manufatura avançada. O país buscará atualizar os setores tradicionais para o segmento médio-alto da cadeia de valor, nutrir as indústrias emergentes e traçar planos prospectivos para as indústrias do futuro, de acordo com o plano de desenvolvimento.
Olhando para o futuro, a capacidade dos lucros industriais de manter um crescimento robusto dependerá, em grande parte, de quão eficaz o impulso da manufatura de alta tecnologia se expande pelas amplas cadeias de suprimentos industriais e se uma demanda interna mais forte poderá apoiar ainda mais a recuperação da lucratividade entre as indústrias no meio e a jusante da cadeia, observaram analistas.
Wen Bin, economista-chefe do China Minsheng Bank, afirmou que o crescimento dos lucros industriais poderá enfrentar pressões no curto prazo antes de se estabilizar no quarto trimestre, apoiado pela recuperação dos preços e pela força contínua em certos setores de alto crescimento.
Ele observou que a implantação de 800 bilhões de yuans em novos instrumentos financeiros baseados em políticas, juntamente com grandes projetos de infraestrutura e iniciativas de renovação urbana, poderá estimular a demanda por produtos de informação eletrônica, maquinário elétrico, equipamentos de ponta e certas matérias-primas.
Enquanto isso, espera-se que o investimento global contínuo em infraestrutura de IA apoie as cadeias de suprimentos da indústria de eletrônicos e fabricação de equipamentos da China, enquanto as exportações de veículos de nova energia, sistemas de armazenamento de energia e equipamentos de energia provavelmente permanecerão resilientes, disse Wen.
No entanto, o aperto das condições monetárias globais, a incerteza em torno das políticas comerciais dos EUA, as tensões geopolíticas e as flutuações nos preços de energia podem pesar sobre a demanda externa e os custos corporativos, alertou ele.

