Rio de Janeiro, 27 out (Xinhua) -- O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou nesta terça-feira como "vergonhoso" o fato de seu rival no segundo turno das eleições de domingo, o senador Flávio Bolsonaro, ter deixado o país de forma irregular, e afirmou não ter "informações precisas" sobre a situação.
Lula fez a declaração nesta tarde, na porta do Palácio da Alvorada, a residência oficial da presidência da República, ao cumprimentar apoiadores que se aproximaram para parabenizá-lo por seu 81º aniversário.
"Estou sabendo agora que o meu adversário foi embora. Não tenho informações precisas", disse o presidente Lula, lembrando que, quando perdeu eleições presidenciais, permaneceu no país.
"Perdi eleição para o (Fernando) Collor e fiquei no Brasil; perdi eleição para o Fernando Henrique Cardoso duas vezes e fiquei no Brasil", disse. "Fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país."
"Quando fui acusado, tive muitos convites para fugir do Brasil, ir para embaixada, e eu resolvi ficar aqui no Brasil e resolvi me entregar à Polícia Federal para desmascarar meus investigadores. Quem não deve não teme", ressaltou.
"Tentei que ele (Flávio) provasse que era honesto entregando papéis e ele não entregou. É uma demonstração de que esse cidadão, que foi a figura mais mentirosa que vi no planeta Terra, não tem compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele", afirmou.
"Quando mente, ele está desrespeitando as pessoas que estão em casa. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso", concluiu.
Aliados próximos de Bolsonaro informaram à imprensa que o candidato derrotado chegou aos Estados Unidos nesta tarde, embora não tenha havido confirmação oficial até o momento. Na segunda-feira, o senador foi intimado a entregar seus passaportes, o comum e o diplomático, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte. Como não cumpriu a ordem no prazo previsto, a Polícia Federal cancelou os documentos nesta terça-feira.

