Comentário: China e Alemanha devem aprofundar a cooperação em meio à incerteza econômica-Xinhua

Comentário: China e Alemanha devem aprofundar a cooperação em meio à incerteza econômica

2026-10-29 08:46:20丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas brindam em um festival de cerveja em Taicang, província de Jiangsu, no leste da China, em 26 de agosto de 2025. Conhecida como a "terra natal das empresas alemãs" na China, Taicang reuniu mais de 560 empresas financiadas pela Alemanha desde que a primeira empresa alemã, a Kern-Liebers, se instalou em 1993. (Foto de Wang Xuzhong/Xinhua)

Berlim, 27 out (Xinhua) -- Como duas grandes economias com laços comerciais estreitos e pontos fortes complementares, a China e a Alemanha têm muito a ganhar com o aprofundamento das relações e da colaboração.

A visita de Estado do presidente alemão Frank-Walter Steinmeier à China, a primeira em quase oito anos, oferece uma oportunidade para fortalecer as bases da cooperação econômica sino-alemã e explorar novas vias para o desenvolvimento mutuamente benéfico.

Para a Alemanha, a China é vista como uma parceira no enfrentamento dos desafios globais e como uma concorrente em assuntos econômicos e comerciais. Preocupações com a competição industrial e os desequilíbrios comerciais têm alimentado apelos por uma abordagem mais firme em relação à China. No entanto, esses desafios não devem ofuscar os benefícios mais amplos dos laços econômicos bilaterais.

O comércio entre os dois países reflete suas respectivas forças, demandas de mercado e escolhas comerciais. Em vez de deixar que a competição prejudique a cooperação, ambos os lados têm a ganhar ao abordar as preocupações por meio do diálogo.

Os números de investimento oferecem uma ilustração reveladora. De acordo com uma análise publicada pelo Instituto Alemão de Economia, as empresas alemãs investiram cerca de 5,6 bilhões de euros (aproximadamente 6,5 bilhões de dólares americanos) na China no primeiro semestre de 2026, um valor cerca de um terço superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Uma pesquisa da Câmara de Comércio Alemã na China, citada na análise, constatou que mais de 85% das empresas alemãs que operam na China pretendem manter ou expandir sua presença, enquanto mais da metade planeja aumentar os investimentos.

Para as empresas alemãs, investir na China oferece mais do que acesso a um grande mercado. O cenário industrial chinês em rápida evolução e sua forte capacidade de inovação também oferecem oportunidades para testar novas tecnologias, aprimorar produtos e responder mais rapidamente às mudanças nas demandas do mercado. Os conhecimentos especializados adquiridos na China podem, por sua vez, ajudar as empresas alemãs a fortalecer sua competitividade no mercado interno e nos mercados globais. Isso faz com que a presença contínua na China seja uma escolha estratégica de negócios, e não apenas um meio de expandir as vendas.

A visita planejada de Steinmeier ao centro tecnológico da Volkswagen em Hefei, na província de Anhui, no leste da China, oferece um exemplo concreto dessa cooperação. O centro integra o desenvolvimento de veículos, a pesquisa e o desenvolvimento de componentes, os processos de aquisição e os testes, permitindo que a Volkswagen desenvolva e valide veículos localmente e reduza em cerca de 30% o tempo de lançamento no mercado, segundo a montadora alemã.

Essas realidades empresariais também oferecem uma lição prática para os formuladores de políticas: a competição não precisa ocorrer em detrimento da cooperação. O CEO da Siemens, Roland Busch, disse ao jornal alemão Welt am Sonntag, em agosto, que as empresas chinesas se tornaram concorrentes altamente capazes, citando equipes de engenharia robustas, produtos inovadores e rápida adoção de novas tecnologias, incluindo inteligência artificial. Ele alertou contra o uso de tarifas para proteger as indústrias da concorrência.

O CEO da BMW, Milan Nedeljkovic, também se opôs ao aumento das tensões comerciais em uma entrevista publicada pelo Frankfurter Allgemeine Zeitung no mês passado, dizendo: "Ninguém está interessado em uma escalada" e defendendo o diálogo para resolver as disputas comerciais.

Os interesses das empresas alemãs na China refletem uma realidade mais ampla: os laços econômicos entre a China e a Alemanha estão profundamente enraizados no desenvolvimento industrial de ambos os países. A China tem sido o maior parceiro comercial da Alemanha em nove dos últimos dez anos, e o relacionamento vai muito além da troca de produtos acabados, abrangendo manufatura, pesquisa e investimento.

Um visitante com um folheto participa da 18ª edição do evento alemão "Dia de Taicang", em Munique, na Alemanha, em 16 de abril de 2026. (Foto de Zhao He/Xinhua)

Para muitas empresas em ambos os países, a cooperação nessas áreas as ajuda a inovar, competir e alcançar mercados globais. Preservar e aprofundar esses laços, portanto, não se trata apenas de sustentar os fluxos comerciais, mas também de criar novas oportunidades para o crescimento de ambas as economias.

Os interesses vão além do comércio bilateral. Como a segunda e a terceira maiores economias do mundo, China e Alemanha, que são parceiras estratégicas em todos os aspectos, compartilham o interesse na estabilidade econômica global, na mitigação das mudanças climáticas e na cooperação multilateral.

À medida que o protecionismo e a incerteza abalam as cadeias de suprimentos globais, os dois países podem aliviar as tensões mantendo abertos os canais econômicos, abordando as preocupações comerciais por meio do diálogo e atuando sob os auspícios da Organização Mundial do Comércio. Uma relação econômica mais estável e equilibrada beneficiaria empresas e consumidores de ambos os países, ao mesmo tempo que contribuiria para o crescimento global.

A visita de Steinmeier oferece uma oportunidade para consolidar a confiança mútua, fortalecer o entendimento mútuo e manter o impulso da cooperação prática. Em um mundo de crescente incerteza, uma relação estável e construtiva entre a China e a Alemanha pode impulsionar o crescimento econômico global e ajudar a criar um ambiente internacional mais previsível.

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