Empresas africanas buscam novas oportunidades com a aproximação da feira de importação da China-Xinhua

Empresas africanas buscam novas oportunidades com a aproximação da feira de importação da China

2026-10-30 14:18:31丨portuguese.xinhuanet.com

* Com a entrada em vigor, em 1º de maio, da política de tarifa zero da China para 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, empresas africanas veem na feira uma oportunidade para acessar o mercado chinês e avançar na cadeia de valor por meio do processamento de produtos, do desenvolvimento de marcas e de outras atividades de maior valor agregado.

Nairóbi, 28 out (Xinhua) -- Em Kigali, capital de Ruanda, Grace Mbabazi, fundadora e CEO da M&M Sozo Ltd., está ocupada selecionando os principais produtos de mel de sua empresa para a próxima viagem à China, onde participará da 9ª edição da Feira Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês). Ela espera apresentar essa especialidade ruandesa a um público chinês mais amplo.

Prevista para ocorrer em Shanghai, de 5 a 10 de novembro, a feira deste ano reunirá tanto expositores africanos que já participaram de edições anteriores quanto novos participantes.

Com a entrada em vigor, em 1º de maio, da política de tarifa zero da China para 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, empresas africanas veem na feira uma oportunidade para acessar o mercado chinês e avançar na cadeia de valor por meio do processamento de produtos, do desenvolvimento de marcas e de outras atividades de maior valor agregado.

Foto tirada em 26 de outubro de 2026 mostra a praça sul do Centro Nacional de Exposições e Convenções (Shanghai), principal local da 9ª edição da Feira Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês), em Shanghai, no leste da China. Os preparativos estão a todo vapor para a 9ª edição da CIIE, que acontecerá de 5 a 10 de novembro em Shanghai. (Xinhua/Fang Zhe)

NOVOS ROSTOS, NOVOS PRODUTOS

A edição deste ano da CIIE receberá novos parceiros africanos: o Gabão fará sua estreia no pavilhão nacional, e a Costa do Marfim participará de forma coletiva pela primeira vez, dando novo impulso à cooperação econômica e comercial entre a China e a África.

A Costa do Marfim busca ampliar ainda mais sua presença no mercado chinês por meio da CIIE. Kaladji Fadiga, diretor da Agência de Exportação da Costa do Marfim, disse à Xinhua que o país concentrará seus esforços em cinco setores-chave na exposição deste ano: cacau, café, castanha de caju, noz-de-cola e têxteis.

"Nosso objetivo é tornar esta edição uma vitrine notável, que reflita o verdadeiro potencial do nosso comércio com a China", acrescentou ele.

Asnath Adje, responsável pela marca marfinense Lya Bissap, ficou muito satisfeita ao saber que sua empresa havia sido selecionada para expor na CIIE. Ela espera apresentar o hibisco, uma planta conhecida desde a infância por muitos marfinenses, a um público internacional mais amplo, em novas formas de utilização.

Visitantes experimentam café no pavilhão da Etiópia na 8ª edição da Exposição Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês), em Shanghai, no leste da China, em 7 de novembro de 2025. (Xinhua/Meng Chenguang)

Na exposição deste ano, ela planeja exibir hibisco em pó, pó ultrafino e concentrado. O pó ultrafino pode ser utilizado no processamento de alimentos e na indústria de cosméticos, abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento de produtos derivados, disse Adje.

Empresas africanas também trarão uma gama diversificada de produtos singulares para a exposição.

A Bansa, marca de Camarões, planeja exibir uma variedade de produtos agrícolas e processados, incluindo sementes de gergelim torradas, carne seca apimentada, doce crocante de gergelim feito com mel puro, derivados de cacau, manteiga de karité e chips de banana-da-terra.

"É a primeira vez que participo da CIIE como expositora oficial. No ano passado, estive presente como observadora", disse Ngoyonga Chaswe Clotilde, representante da Bansa.

Clotilde disse esperar que a feira ajude a promover a marca junto a um público global e a estabelecer parcerias que possam atrair investimentos e apoiar o processamento de produtos em Camarões.

Bahati Issa Suleiman, uma produtora de algas marinhas, exibe algas colhidas em Zanzibar, na Tanzânia, em 26 de outubro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)

NOVO CRESCIMENTO

O mercado chinês trouxe benefícios tangíveis para as empresas africanas, sendo o aumento no volume de exportações um dos destaques mais notáveis.

As exportações de chá do Quênia para a China subiram de cerca de 2 milhões de kg por ano, no passado, para 12,4 milhões de kg em 2025. A expectativa é que cheguem a aproximadamente 20 milhões de kg em 2026, disse Willy Mutai, diretor-executivo do Conselho do Chá do Quênia.

A empresa etíope de café AWO Coffee também registrou um crescimento expressivo na China. Seu gerente de marketing, Kaleab Fekad, contou que a companhia começou a exportar para o país asiático em 2014, enviando, inicialmente, apenas algumas dezenas de toneladas por ano. Em 2025, suas exportações atingiram 200 toneladas.

A AWO Coffee diversificou seu portfólio, passando a oferecer, além de grãos in natura, grãos torrados e café em pó embalado. Após sua primeira participação na CIIE, no ano passado, a empresa percebeu o potencial do evento para a promoção da marca e para as vendas, especialmente no que diz respeito a produtos processados. Segundo Fekad, a empresa retorna este ano com o objetivo de alcançar mais consumidores chineses e ampliar ainda mais suas vendas.

A CIIE também tem auxiliado empresas africanas a estabelecer parcerias comerciais.

Wendy Mpendulo, fundadora da produtora sul-africana de nozes Miante Manufacturing, contou que, na feira do ano passado, conheceu o gerente de uma empresa de embalagens que demonstrou interesse em nomeá-la como representante da companhia na África do Sul, utilizando o país como ponto de partida para uma expansão para outros mercados africanos.

Para a empresa Africa SARL, sediada em Camarões, a feira ajudou a estabelecer relações comerciais duradouras. Seu diretor-executivo, Pitndap Nchandini Ismaila, relatou que conheceu parceiros chineses em sua primeira participação na CIIE, no ano passado, e que alguns deles passaram desde então a colaborar com a empresa.

"Graças à feira, conheci parceiros chineses com quem hoje trabalhamos em estreita colaboração", disse ele. "Essa cooperação permitiu expandir nossas plantações e aumentar as exportações para a China".

A política comercial favorável da China em relação à África proporcionou um impulso adicional ao reduzir os custos de acesso ao mercado chinês.

Mutai explicou que os exportadores de chá do Quênia podem economizar 15% em tarifas ao obter certificados de origem emitidos pela Autoridade de Receita do Quênia, o que lhes permite se beneficiar dos acordos de tarifa zero da China.

Ele observou que a procura pelo chá queniano aumentou consideravelmente, com compradores chineses viajando recentemente ao Quênia especificamente em busca de fornecedores de chá. "É uma grande oportunidade para o Quênia, que podemos aproveitar para vender mais chá", acrescentou ele.

Foto tirada em 9 de julho de 2026 mostra contêineres na estação Port Reitz, ao longo da ferrovia de bitola padrão (SGR, na sigla em inglês) que liga Mombaça a Nairóbi, no Quênia. (Xinhua/Xie Jianfei)

NOVO IMPULSO

A isenção tarifária e o vasto mercado chinês também estão criando incentivos para a modernização industrial nos países africanos. Desde a compreensão da demanda chinesa até o aumento da capacidade produtiva local, as empresas africanas buscam transformar o acesso ao mercado em oportunidades de desenvolvimento a longo prazo.

A participação recorrente na CIIE ajudou a Samuneti Leathers, exportadora zimbabuana de artigos de couro, a compreender melhor as preferências dos consumidores chineses.

"Conseguimos analisar e entender nossos clientes e suas necessidades. Agora, somos capazes de oferecer exatamente o que eles desejam e precisam", disse Dionne Chibaya, administradora da Samuneti Leathers.

Com base nessas percepções, a empresa planeja exibir seus melhores produtos artesanais na feira deste ano, ao mesmo tempo em que busca aprofundar sua compreensão do mercado para orientar sua expansão.

Com uma longa tradição no artesanato em couro, apoiada por seu setor pecuário e pela diversidade de sua fauna silvestre, o Zimbábue busca aumentar as exportações de produtos de couro com valor agregado. A CIIE oferece aos produtores zimbabuanos a oportunidade de alcançar compradores chineses e explorar novas perspectivas de negócios.

Uma expositora posa para uma foto no estande do Zimbábue na 7ª edição da Exposição Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês), em Shanghai, no leste da China, em 7 de novembro de 2024. (Xinhua/Zhang Jiansong)

A carne ovina de Madagascar fez sua estreia na 7ª edição da CIIE, em 2024. A entrada no mercado chinês não apenas beneficiou os criadores locais, mas também dinamizou toda a cadeia "da fazenda à mesa", gerando um grande número de empregos diretos e indiretos, especialmente para jovens em áreas rurais.

"Desde a pecuária e o transporte até o corte da carne, o abate e as exportações para a China, cada etapa cria empregos para o povo malgaxe", disse o ministro da Pecuária de Madagascar, Riana Nantenaina Randrianomenjanahary, em uma entrevista recente à Xinhua. Ele destacou que pelo menos 3.000 famílias se beneficiam dessa atividade voltada para a exportação.

Madagascar está intensificando os esforços para "melhorar a produção local e a cadeia de valor, ao mesmo tempo em que incentiva um número crescente de pecuaristas a ingressar nesse setor voltado para o mercado chinês", disse o ministro.

(Repórteres de vídeo: Deng Bingxue, Chen Shaohua e Fan Haoyu; edição de vídeo: Liang Wanshan, Roger Lott, Wei Yin, Zhang Yuhong e Liu Yutian)

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