
Grace Mbabazi, fundadora e diretora-executiva da M&M Sozo Ltd., uma empresa produtora de mel sediada no distrito de Kicukiro, em Kigali, concede entrevista à Xinhua em Kigali, em Ruanda, em 29 de outubro de 2026. (Xinhua/Ju Yinhe)
Kigali, 31 out (Xinhua) -- A empreendedora ruandesa Grace Mbabazi passou anos produzindo e vendendo mel no mercado interno. Agora, ela volta suas atenções para um mercado que, antes, parecia inalcançável: a China.
Suas ambições estão ganhando força graças à Exposição Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês) e à política de tarifa zero da China para 53 países africanos, que oferecem novas oportunidades para que o mel ruandês chegue aos consumidores chineses.
Em uma entrevista recente à Xinhua, Mbabazi, fundadora e diretora-executiva da M&M Sozo Ltd., empresa produtora de mel sediada no distrito de Kicukiro, em Kigali, disse que a CIIE ajudou sua empresa a explorar o mercado chinês ao proporcionar acesso direto a compradores, importadores, distribuidores e parceiros comerciais da China.
Ruanda participou das oito edições anteriores da CIIE desde o lançamento do evento, em 2018, tendo o mel como um de seus produtos em destaque. O país também elegeu o mel como produto prioritário no âmbito da iniciativa "Um País, Um Produto Prioritário", da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
Segundo dados divulgados em 2022 pelo Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Recursos Animais de Ruanda, o país conta com aproximadamente 120 mil apicultores atuando em cinco grandes zonas apícolas, incluindo o Parque Nacional de Akagera e a cidade de Kigali.
À medida que a M&M Sozo Ltd. se prepara para apresentar seus produtos de mel na 9ª edição da CIIE, programada para ocorrer de 5 a 10 de novembro em Shanghai, Mbabazi relembra sua primeira participação, em 2024, como uma etapa importante de aproximação com o mercado chinês.
Mbabazi disse que a feira proporcionou uma oportunidade única de apresentar seus produtos a um público internacional, aumentar a visibilidade da marca, interagir com potenciais clientes, importadores e distribuidores, além de compreender melhor o mercado chinês.
"Nossa experiência na CIIE mostrou que o evento pode ajudar empresas locais a estabelecer parcerias comerciais e introduzir produtos, como o mel, aos consumidores chineses", disse ela.
Mbabazi destacou a gratuidade dos estandes, o "canal verde" para produtos exportados para a China e outras medidas preferenciais oferecidas a expositores de Ruanda e de vários outros países africanos, ressaltando que essas políticas auxiliam as empresas a reduzir os custos de marketing e de participação no evento.
Esse apoio permite que sua empresa apresente o mel a compradores chineses e visitantes internacionais, ao mesmo tempo em que possibilita a alocação de mais recursos para o desenvolvimento de produtos, embalagens e promoção do negócio.
Ela também descreveu a política de tarifa zero da China como "um grande incentivo", dizendo que ela oferece a Ruanda "uma excelente oportunidade para aumentar as exportações de mel".
Mbabazi espera aproveitar essa política para "utilizar a economia gerada pela isenção tarifária a fim de melhorar a competitividade de preços, negociar condições comerciais atraentes e reinvestir na expansão do negócio".
Seu objetivo imediato é estabelecer relacionamentos de longo prazo com importadores e distribuidores na China, criando um mercado sólido para seu mel, ampliando o volume de exportações e elevando o perfil internacional da empresa.
Com uma produção mensal de sete toneladas de mel, a companhia trabalha atualmente com 36 apicultores permanentes, além de diversos produtores parceiros espalhados por vários distritos do país.
Desde sua fundação, em 2018, a empresa expandiu suas operações para quase todos os distritos da Província Oriental, trabalhando, sobretudo, com mulheres e jovens. Mbabazi pretende aumentar o número de colmeias associadas ao seu negócio de 5.000 para aproximadamente 25.000 até 2028.
Na edição deste ano da CIIE, a empresa planeja apresentar dois de seus principais produtos: o "Sozo Pure Gold Honey" e o "Sozo Pure Natural Honey", ambos produzidos em Ruanda. Mbabazi destacou que os produtos se diferenciam pelo seu processo de produção natural: o mel é coletado diretamente das colmeias e vendido sem ser aquecido, processado ou pasteurizado.
"Nossas colmeias estão localizadas em florestas onde não são utilizados agrotóxicos", enfatizou ela.
Com o crescimento do negócio, Mbabazi espera gerar mais oportunidades econômicas para os apicultores que fornecem para sua empresa. Segundo ela, a perspectiva de maiores rendimentos para esses produtores reforça a importância de acessar mercados maiores, incluindo o da China.
Para o futuro, ela almeja estabelecer uma cadeia de suprimentos de mel confiável e sustentável, ligando Ruanda à China, além de ampliar a receita com exportações e construir relações comerciais duradouras com parceiros chineses.

